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Cartaxo assinalou 203 anos de elevação a concelho

Sessão Solene integrou cerimónia de entrega de Medalhas de Mérito Municipal ao Clube de Natação do Cartaxo, a Manuel Luís Salgueiro e a António José Portela.


• O Presidente da Assembleia Municipal, Augusto Parreira, destacou a importância de “assumirmos a nossa responsabilidade de valorizar o concelho e darmos o nosso contributo para o seu engrandecimento, quer por atos, quer com ideias”.

• Pedro Magalhães Ribeiro, destacou a instituição e as personalidades a quem foram atríbuidas  Medalhas de Mérito Municipal – “são estes grandes seres humanos que a nossa história tem que registar e perpetuar junto das gerações vindouras”, porque “sempre promoveram uma postura de abertura ao outro, sem quaisquer reservas”.​

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As Comemorações do 203.º Aniversário de Elevação do Cartaxo a Concelho foram assinaladas com uma Sessão Solene que decorreu no Centro Cultural do Cartaxo e teve como momentos de destaque a atribuição de Medalhas de Mérito Municipal a uma instituição e a duas personalidades – ao Clube de Natação do Cartaxo, a Manuel Luís Salgueiro e a António José Portela.

A Joana Almeida e a Bruno Vieira, Reis das Vindimas do Concelho do Cartaxo, coube a apresentação da sessão. Joana Almeida também protagonizou um dos momentos mais emocionantes da noite, com a interpretação musical que antecedeu as apresentações formais dos homenageados, enquanto a Banda Tertúlia do Avec, encerrou o espetáculo.

O Presidente da Assembleia Municipal, Augusto Parreira, foi o primeiro a subir ao palco para destacar a importância de assinalar o aniversário de Elevação do Cartaxo a Concelho. Para o presidente da Assembleia Municipal, o Cartaxo “é um concelho do qual nos devemos orgulhar. A nossa maior responsabilidade é valorizar o concelho onde nascemos, em que vivemos, que nos acolhe e que escolhemos para viver”.

O autarca reforçou que “é nossa responsabilidade, de forma individual ou coletiva, darmos o nosso contributo para o seu engrandecimento, quer por atos, quer com ideias”, daí a importância do reconhecimento “do município aos seus cidadãos, às suas associações. Reconhecimento que também faz deste dia, o dia da celebração da cidadania”.

Para Augusto Parreira, “os homenageados de hoje são meritórios exemplos de participação, de humildade e de esforço, em prol da nossa comunidade”.

A primeira Medalha de Mérito da noite foi entregue ao Clube de Natação do Cartaxo e foi recebida em palco pelos jovens atletas do Clube e pelo Presidente da Direção, Sérgio Espírito Santo, que destacou todos os atletas que “estão aqui presentes”, tanto quanto os que “ao longo dos anos, passaram pelo Clube”. Todos os treinadores e dirigentes que integraram o Clube de Natação do Cartaxo, foram também lembrados pelo atual presidente.

Manuel Luís Salgueiro foi um dos homenageados da noite, tendo agradecido a “honra de  ser agraciado com a Medalha de Mérito, no dia em que o Concelho assinala o seu 203.º aniversário”. Destacando no seu percurso pessoal, profissional e político, a importância da família, a humildade e honestidade que sempre colocou nas suas ações, e o facto de colocar a sua generosidade ao serviço da melhoria das condições devida da população. O homenageado referiu ainda que “seria injusto não dizer hoje, aqui, que esta Medalha não é só minha, é de todos vós, que sempre me ajudaram.

António José Portela foi também agraciado com a Medalha de Mérito Municipal, tendo agradecido ao Município a homenagem, afirmou que a distinção e o mérito não lhe pertencem em exclusivo “isto é vosso, pertence à malta das bandas que anda comigo há anos”, referindo a disponibilidade com que sempre contou da parte de músicos e bandas.


Pedro Magalhães Ribeiro, presidente da Câmara Municipal do Cartaxo, encerrou a Sessão Solene lembrando e agradecendo a “todas e a todos que, com o seu trabalho, com o seu espírito empreendedor, com a sua dedicação às causas sociais, à solidariedade, à cultura, ao desporto, trabalharam ao longo deste ano, para termos um terra com melhor futuro”.

O Clube de Natação do Cartaxo, recebeu do presidente da Câmara, “sentida homenagem, ao Clube que este ano celebrou 25 anos de atividade, com muitos títulos individuais e coletivos, em provas regionais, nacionais e internacionais”, são “25 anos de excelente conduta ética e desportiva, que fazem do Clube de Natação do Cartaxo, um grande embaixador do bom nome da nossa terra”. 

A António José Portela, o autarca reconheceu “a partilha da sua paixão pela música, com toda a nossa comunidade”. Ao criar pela música, espaços de encontro, de criação de laços e de união entre pessoas de todas as idades, de formação de jovens e de encontro entre músicos de todas as gerações, para além da sua relevância na divulgação da música enquanto expressão cultural, mas também enquanto preservação da nossa história e da nossa memória – “esta homenagem é o nosso modo de dizer obrigado ao António José Portela”.

A Manuel Luís Salgueiro, o autarca relevou, “uma vida de paixão ao serviço dos outros”, lembrando o seu trabalho enquanto dirigente associativo, enquanto autarca, mas também “como alguém que nunca aprendeu, na vida, a dizer que não aos outros”.  

O autarca fez o balanço do trabalho desenvolvido nos últimos anos e apontou os principais investimentos a realizar em 2019. Lembrou “o muito trabalho que ainda temos pela frente, para devolver à nossa terra, os níveis de desenvolvimento e qualidade de vida que todos desejamos”, mas destacou o investimento que o Município conquistou – “mais de cinco milhões de euros em fundos comunitários”,  que permitirá que, “nos próximos anos haja um forte investimento em áreas como a regeneração e mobilidade urbana sustentáveis, com três milhões do total de investimento programado, a ser aplicado nestas áreas específicas”.

Para o presidente da Câmara Municipal, este “novo tempo que aí vem, de forte investimento”, ganha especial relevância, num município que “tem vivido em asfixia financeira” e apesar de “não nos permitir resolver todos os problemas identificados”, é “muito importante, porque vai permitir que tenhamos melhores zonas pedonais, com maior segurança para a circulação de peões, melhores ciclovias nas ligações entre as principais áreas residenciais e as nossas escolas, para darmos maior segurança aos nossos jovens, alargar a zona de estacionamento da Estação de Santana, melhorar os abrigos de autocarros e requalificar o antigo posto da GNR que acolherá o Arquivo Histórico Municipal”.

O Programa VivaCidade, que se iniciará em 2019, foi também referido pelo presidente da Câmara Municipal como “um programa de requalificação e de regeneração das principais zonas residenciais do Cartaxo, e que está a ser construído, urbanização a urbanização, com a participação e contribuição dos residentes, em sessões que são públicas”.

Pedro Magalhães Ribeiro encerrou a sessão solene lembrando os «homens e as mulheres que há 203 anos lutaram pela autonomia administrativa e pela afirmação do concelho do Cartaxo, junto do Rei D. João VI”, cujo exemplo de abenegação e força devem ser exemplo para o presente, tanto quanto para “as gerações vindouras”, na defesa do concelho.


Biografias – Agraciados com medalha de Mérito Municipal
Clube de Natação do Cartaxo
O Clube de Natação do Cartaxo foi fundado a 5 de novembro de 1993 por um grupo de professores da Escola de Secundária do Cartaxo. O Clube de Natação do Cartaxo, ao longo dos 25 anos de existência, tem conquistado inúmeros títulos individuais e coletivos em provas regionais, nacionais e internacionais.

Atualmente tem uma Escola de Triatlo e uma Escola de Natação certificada pela Federação Portuguesa de Natação que conta com quatrocentos utentes. Tem ainda uma vertente de competição onde quarenta atletas competem em natação pura, águas abertas, triatlo e biatle.


António José da Silva Portela
António José da Silva Portela, nasceu a 12 de novembro de 1948, na então vila do Cartaxo.

Desde cedo percebeu a sua paixão pela música. Recorda que quando era pequeno, não perdia um Serão Cultural e Recreativo para Trabalhadores, programa radiofónico.

Aos catorze anos comprou um gira-discos da marca Philips que funcionava a pilhas. Sem o seu pai saber, começou por organizar as célebres matinés e bailaricos, numa altura em que não havia luz eléctrica em grande parte das adegas e garagens, ora com o gira-discos a pilhas, estava resolvido!

Organizou matinés na antiga Sociedade Filarmónica Cartaxense, ao ar livre nos Casais de Além, e muitas em Vale da Pinta. Tinha o cuidado de ser um dos primeiros a ter as novidades dos conjuntos portugueses e estrangeiros e ainda hoje continua, religiosamente, a colecionar discos de vinyl, sendo um dos maiores colecionadores do país. O interesse pelos conjuntos portugueses surge em 1964 quando, numa estadia em Lisboa, foi ver o filme “Canção da Saudade” com o Victor Gomes e os Gatos Pretos no antigo Cinema Eden, que o viu e reviu por 14 vezes, tendo assistido também ao filme Summer Holiday de Cliff Richard & The Shadows, este no Cinema Royal no Bairro da Graça, em que no intervalo atuava o conjunto Mistério.

Em 1966-1967 formou o grupo Hippies Clube, com camisas às flores e calças à boca de sino.

Em 1967-1968 rumou para a capital, continuando sempre de perto com os conjuntos, lembrando-se de assistir aos ensaios dos Play-Boys, de onde saiu o Júlio Pereira do cavaquinho e João Seixas que mais tarde veio a pertencer aos Pretus Castrus. Foi convidado com 22-23 anos para organizar o programa aéreo que se realizava na Casa dos Tabuenses, na Rua de São Bento e, paralelamente, para organizar os bailes no Grupo Dramático Lisbonense na Rua Cruz dos Poiais, em São Bento (Lisboa), casa essa de onde saiu a actriz Laura Alves. Entretanto vem o 25 de Abril 1974 e a música ficou um pouco de lado, militou no Partido Comunista Português até 1986, foi pai em 1976 de um rapaz que o enche de orgulho. Volta à música e às rádios, tendo a 1ª experiência em rádio em 1979 e mais a sério viria a ser no ano de 1985, ainda voltando a 1983 e 1984, foi Presidente da Direção do Grupo Desportivo dos Bons Dias, hoje Ramada-Odivelas. Nas rádios, participou em muitas delas com programas próprios com animação e, por vezes, com a participação de vozes femininas com texto, mas exaltando sempre os anos 60. Organizou festas das rádios para que o auditório pudesse divertir-se com os animadores, recebendo louvores de algumas delas.

Chega ao Cartaxo em 1994, com entrada na rádio a convite do Sr. Carlos Palmeiro. Em 1996, “Os Charruas” voltam a reunir-se e, aí, ainda mais ficou ligado à banda. Em 1998, organizou juntamente com o Sr. César Pires e Sr. António Oliveira uma evocação a José Afonso com o sobrinho João Afonso a participar. Ainda nesse ano realiza-se a 1ª Gala Pop Rock Anos 60, na Horta da Fonte, sua organização conjunta com a Dra. Maria Luísa Baptista e a grande contribuição dos Charruas, tal como em Cascais por duas ou três vezes. Começou então um ciclo de evocações a José Afonso, ora no Auditório Municipal e também no Centro Cultural do Cartaxo com a presença de José Mário Branco. Nas rádios continua sempre presente e a funcionar, ora como Presidente da Direção, ora como Director de Programas. No entanto, no Cartaxo começam as Noites de Verão, organizadas pelo Município desde 1999 até 2011.
 
Já avô de dois lindos netos, continuou sempre com grande amizade aos elementos das bandas dos Anos 60, até que em 2014 foi convidado para assistir ao aniversário dos “Guitarras de Fogo” do seu querido amigo João Charana, em Almada, ganhando novo entusiasmo para relançar a Gala Pop Rock Anos 60, que se veio a realizar em 2015 e que se tem mantido anualmente.


Manuel Luís Salgueiro
Manuel Luís Salgueiro nasceu em Montemor-o-Novo, a 30 de Maio de 1938, filho de Primitivo Salgueiro e Custódia Maria é o filho mais velho de cinco irmãos. Do casamento com Ana Clara nasceram dois filhos: a Laura e o Luís e três netas a Rita, a Sara e a Marta.

Com 11 anos acabou a 4.ª classe e começou a trabalhar muito novo, como era hábito na época, para ajudar a família.

Nos tempos livres adorava jogar futebol e, fazia parte de muitos eventos a fim de angariar verbas para apoiar o Hospital de S. João de Deus, uma grande obra, ex-libris de Montemor-o-Novo.

Aos 20 anos foi para a tropa em Évora, onde fez a recruta e frequentou o curso para 1.º cabo, que acabou com uma nota alta, foi promovido a 1.º cabo escriturário e passou à disponibilidade ao fim de 6 meses. Voltou para Montemor-o-Novo e entrou para a Secretaria da Casa do Povo, que era composta por cinco funcionários sendo ele o mais jovem. Passado pouco tempo o chefe da Secretaria deixou o cargo e saiu da instituição. E é com surpresa que é convidado para desempenhar aquelas funções, tendo aceite apesar de muito jovem. Concluiu com dois dos seus irmãos o Curso Geral de Comércio.

Em 1965 resolveu dar outro rumo à sua vida, e concorreu ao Banco Nacional Ultramarino, prestou provas em Lisboa e foi aceite. Em janeiro de 1966 deram-lhe a escolher diversas localidades e sem conhecer, optou pelo Cartaxo. Apresentou-se no Banco e a sua integração foi muito tranquila e passados 3 dias, já tinha a esposa e a sua filha Laura, com 11 meses a viverem no Cartaxo.

Trabalhou 35 anos no Banco, mais de 20 anos no exterior, o que lhe permitiu conhecer todas as freguesias do concelho e as suas gentes, a sua beleza e história, o que fazia do Cartaxo, um concelho harmonioso e bonito.

Em 1968 depois de fazer parte do movimento comunitário foi convidado para fazer parte da 1.ª Direção do Jardim de Infância do Cartaxo. A partir de 1979 nunca mais parou. Foi diretor do departamento de futebol juvenil do Sport Lisboa e Cartaxo, onde fez três mandatos como presidente do conselho fiscal do clube. Também fez parte dos órgãos sociais, na velhinha sede da Sociedade Filarmónica Cartaxense. Presidente do conselho fiscal do Ateneu Artístico Cartaxense, durante vários mandatos e presidente do conselho fiscal do Jardim de Infância durante dois mandatos a convite do Sr. Painho e já com a atual direção.

Fez parte do secretariado da Feira-Mostra inserida na Feira de Todos os Santos, cuja finalidade era mostrar as potencialidades do Concelho em várias áreas, tendo recebido como reconhecimento uma placa do município pelo presidente Dr. Renato Campos. Em 1989 e a convite do PS fez parte da lista para a Assembleia de Freguesia do Cartaxo, encabeçado pelo Sr. Guilherme Barão do Santos, venceram as eleições e foi eleito tesoureiro do executivo.

Nas eleições seguintes foi convidado pelo Dr. José Manuel Conde Rodrigues, para liderar a lista do PS à Junta de Freguesia do Cartaxo, as quais venceram e a partir daí foram 20 anos. No desempenho das suas funções teve uma vida muito ativa. Foi para ele uma honra e um dia muito importante para a instituição, a apresentação no dia 10 de junho de 2000 do Brasão e da Bandeira da Freguesia do Cartaxo, da sua autoria, assim como todo o processo.

Também foi motivo de orgulho a Junta de Freguesia do Cartaxo, em 4 de junho de 2004, ser agraciada, pela Cruz Vermelha Portuguesa. e em 30 de novembro de 2012 ser agraciada com certificado de atribuição de distinção – medalha de agradecimento de bronze, pelo Corpo Nacional de Escutas. 

Hoje com 80 anos, faz parte da Assembleia de Freguesia, Assembleia Municipal e do conselho consultivo do Jardim de Infância do Cartaxo e ainda participa em muitos eventos.

Diz que nunca se sentiu um verdadeiro político, mas sim um homem do povo, sem descriminação política, religiosa ou social, mas sim uma pessoa humilde, simpática, com sentido de responsabilidade, trabalhador, honesto e sobretudo solidário e sempre pronto para ajudar as pessoas e feliz com a sua vivencia neste cantinho do Ribatejo, que é o Concelho do Cartaxo.
 
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