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202.º Aniversário de Elevação a Concelho

Pedro Magalhães Ribeiro dedicou a Sessão Solene a Helder Travado, “que presidiu à Comissão Administrativa que se seguiu ao 25 de Abril e que este ano nos deixou mais sozinhos. Ao Dr. Helder Travado, deixo a nossa sentida homenagem”.

• Comemorações contaram com descerramento de placas toponímicas em homenagem a três personalidades com ação relevante no concelho – quer pela excelência profissional e espírito inovador, quer pela defesa de ideias democráticos ou pelo papel na transformação da comunidade.

• Sessão Solene integrou cerimónia de entrega de Medalhas de Mérito Municipal e Medalhas de Bons e Efetivos Serviços a Bombeiros Municipais. 

 ​Presidente da Assembleia Municipal, Augusto Parreira, destacou o papel dos cidadãos "que hoje vão receber Medalhas de Mérito Municipal", na formação dos jovens, considerando-os exemplos de quem "quer fazer mais e melhor pela nossa terra".

• Associação Cultural e Recreativa Rancho Folclórico do Cartaxo e Tuna da Universidade Sénior do Cartaxo, marcaram presença na Sessão Solene.

• Mário Silva “treinador de Atletismo há 35 anos”, destacou a importância de apoiar “mais as associações”, lembrando que sempre “me dediquei de alma e coração ao meu clube de sempre, a casa do Povo de Pontével”.

• Pedro Barbosa afirma que “levamos às crianças e jovens, um patrinómio de valores que serão importantes para toda a sua vida, para serem melhores cidadãos e melhores pessoas”.

Medalhas de Mérito Municipal
Notas biográficas de Mário Fernando Rato da Silva e Pedro Joaquim Santos de Nazareth Barbosa​​

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As Comemorações do 202.º Aniversário de Elevação do Cartaxo a Concelho tiveram início, no dia 10 de dezembro, com o descerramento de três placas topomímicas, em homenagem a personalidades que se distinguiram pela sua ação e contributo na transformação da comunidade. A tarde terminou com a Sessão Solene que levou algumas centenas de pessoas ao Centro Cultural do Cartaxo e teve como momentos de destaque a atribuição de Medalhas de Mérito Municipal e Medalhas a Bombeiros Municipais – estas, por 5, 10, 15 e 20 Anos de Assiduidade, Bons e Efetivos Serviços.

Cartaxo homenageia personalidades com três novos topónimos
A primeira placa a ser decerrada, na Urbanização do Vapor, passou a ter como topónimo Frederico Howell, a segunda placa, na Urbanização do Quintalão, foi dedicada a Francisco José Ferreira e a Urbanização do Valverde passou a contar com a Rua José Rebordão. 

Frederico Guedes, trineto de Frederico George Howell, que se fez acompanhar de outros elementos da família, enalteceu o papel do seu trisavô, propondo  que o estudo histórico do seu contributo possa ser aprofundado, quer no que respeita à engenharia civil regional e nacional, quer no que respeita ao desenvolvimento do Cartaxo. O bisneto elencou obras como o Hospital da Santa Casa da Misericórdia, construído e inaugurado no seu mandato enquanto presidente da Câmara ou o edifício que hoje é a Biblioteca Municipal, para ilustrar o trabalho do engenheiro civil formado em inglaterra.
 
Madalena Rebordão, filha de José Rebordão – acompanhada da sua filha e do seu marido –, esteve presente no descerramento da placa que atribui ao médico, oftalmologista durante mais de 50 anos, o topónimo de uma rua na Urbanização do Valverde, assumindo considerar  “o reconhecimento justo pela dedicação e entusiasmo” com que o seu pai exerceu medicina durante mais de meio século, para além da sua dedicação à causa pública.

Bisneta, trineta e tetraneta de Francisco José Pereira, estiveram presentes no descerramento da placa que ostenta o nome do repubicano convicto que viria ser o primeiro presidente da Câmara do Cartaxo, depois da implantação da república. Maria Hélia Viegas, a bisneta, afirmou a importância de “saber que vai ser sempre lembrado no Cartaxo”, informando que a família pretende doar à Câmara Municipal uma reprodução de um retrato de Francisco José Pereira.

Maria Manuel Simão, estudiosa da vida e do papel de Francisco José Pereira na divulgação dos ideais republicanos no Cartaxo, esteve também presente na cerimónia e lembrou que pela sua ação quer em comícios, quer “através do jornal O Provinciano”, mais tarde Ribatejo, “republicanizou o concelho”.

Pedro Magalhães Ribeiro, presidente da Câmara Municipal do Cartaxo, que descerrou as placas ao lado dos familiares dos três homenageados, assegurou que “há muito por fazer no Município do Cartaxo, na área da toponímia”, assegurando que ao “atribuir topónimos a ruas quer da sede de concelho, quer das freguesias, se cumpre uma das nossas missões”, referindo-se “à obrigação que temos, enquanto responsáveis autárquicos, de contribuir para que aqueles que se destacaram na nossa comunidade, quer pela sua ação profissional, quer pela sua ação política, social ou humanitária”, possam ver pertetuada “no tempo e na história do concelho, a sua ação, o seu trabalho e a sua relevância na definição da nossa identidade comunitária”.

A presença da família dos homenageados “neste ato reveste-se de especial importância simbólica”, para o executivo municipal que “deliberou por unanimidade aprovar as propostas da Comissão de Toponímia”, afirmou o autarca.  Porque a família “de cada um de nós é o primeiro espaço no qual as nossas ações se refletem, são aqueles que nos acompanham e que melhor testemunho podem dar do nosso trabalho, do nosso esforço e das motivações que nos fazem destacar enquanto pessoas e enquanto profissionais”, pelo que “esperamos poder contar convosco, no trabalho que queremos aprofundar de conhecimento sobre aqueles que hoje passam a ostentar o seu nome em três ruas do Cartaxo”.

Sessão Solene contou com presença de Bombeiros Municipais que foram agraciados com condecorações
O Fandango abriu e encerrou a Sessão Solene de Comemoração do 202.º Aniversário de Elevação do Cartaxo a Concelho.  Na abertura, pelas vozes e música da Tuna da Universidade Sénior do Cartaxo que cantou o Fandango do Cartaxo e no encerramento, pela maestria e desempenho exímios do Rancho Folclórico do Cartaxo, que dançou o Fandango Cartaxeiro.

A Sessão Solene foi conduzida pela Rainha e pelo Rei das Vindimas do Concelho do Cartaxo, Joana Azenheira e Oleksander Skakun, que chamaram ao palco os Bombeiros Municipais para a primeira homenagem da tarde – as Medalhas de Bons e Efetivos Serviços –, condecorações que agraciaram por 5 Anos, Hugo Silva, por 10 Anos,  João Ferreira, Pedro Parente e Márcio Alexandre, por 15 Anos, André Ferreira e por 20 Anos, Sílvio Duque, Frederico Mendes e Hugo Loureiro.

David Lobato, comandante dos Bombeiros Municipais do Cartaxo, agradeceu a homenagem “que hoje nos é feita e que muito nos orgulha”, lembrando a árdua missão dos “homens e mulheres que, diariamente, vêm a sua imagem refletida nos olhos de quem, em desespero, chama por ajuda”. Para o comandante “estes homens e mulheres podiam ser chamados de heróis, mas preferem ser chamados de bombeiros, porque para ostentar esta farda é preciso ter mais do que sonhos, é preciso ter coragem para ir onde ninguém quer ir e colocar a própria vida em risco por pessoas que não conhecem, que nunca viram”.

Lembrando o ano especialmente difícil vivido em 2017, David Lobato deixou o desafio “olhem bem à vossa volta e imaginem o que seria o mundo sem bombeiros”, o que não acontece no Cartaxo desde há 81 anos – aniversário que “assinalámos no passado dia 25 de novembro, sempre ao serviço do concelho, com empenho total, sempre ao serviço da comunidade”.

Pedro Magalhães Ribeiro, presidente da Câmara Municipal, destacou também a generosidade de  “todas as mulheres e todos os homens que integram o corpo de Bombeiros Municipais do Cartaxo”, De todos os que ao longo de 81 anos “serviram com dedicação e trabalho humanitário. Homenagear-vos é a nossa primeira obrigação, devemos reconhecer o uqe fazem todos os dias e agradecer-vos, mas também temos a obrigação de preservar e honrar a memória de todos os Bombeiros que já não se encontram entre nós”.  

O autarca reservou “às famílias, a quem assiste à vossa partida na incerteza e na angústia de poder não ver a vossa chegada”, uma palavra especial de “agradecimento pelo sacrifício que, muitas vezes em silêncio, vos cabe para que possamos ver as nossas próprias vidas e os nossos bens, defendidos”. Assegurando que “as pessoas e as instituições da nossa terra têm, ao longo dos tempos, reconhecido o vosso esforço”, Pedro Magalhães Ribeiro, atribuiu ao “contributo e empenho inexedíveis dos Bombeiros Municipais do Cartaxo, o apoio que colhem na comunidade. 

O Atletismo esteve em destaque nas Medalhas de Mérito atribuídas pelo Município
Mário Fernando Rato da Silva e Pedro Joaquim Santos de Nazareth Barbosa, ambos com largos anos dedicados à prática e ao treino de atletas jovens, tanto como de dedicação ao associativismo, receberam as duas Medalhas de Mérito Municipal – previamente deliberadas em Câmara, por unanimidade. 

O presidente da Câmara destacou o “papel pedagogo que ambos exerceram junto de tanta gente jovem. Através da vossa ação, do vosso exemplo e dos vossos ensinamentos. Ajudaram a formar atletas que alcançam resultados desportivos de destaque, mas também homens e mulheres que aliam à persistência na luta pela excelência, o cultivo da humildade perante a vitória”.

O autarca lembrou ainda que os medalhados “para além do trabalho empenhado nos vossos clubes, souberam sempre estar disponíveis para ajudar a organizar eventos desportivos no concelhop, para partilhar os vossos conhecimentos e a vossa larga experiência, com todos os que vos procuram”, afirmando que “as pessoas, os grandes seres humanos que hoje recebem estas Medalhas de Mérito Municipal, fazem parte indissociável da história do Cartaxo”.

Mário Silva, o primeiro homenageado a subir ao palco do Centro Cultural para receber a Medalha de Mérito, destacou, emocionado, a importância do associativismo na formação de atletas e na vida da população. Para o associacitivismo onde anda “há 45 anos e para o qual é cada vez mais difícil encontrar pessoas que queiram continuar o trabalho”, defendeu, o refoprço do apoio das instituições públicas. Agradecendo o reconhecimento da Câmara Municipal pelo seu trabalho, Mário Silva afirmou que vai continuar o trabalho que tem desenvolvido.

Também Pedro Barbosa, destacou a importância de maior apoio às associações, lembrando que “é cada vez mais difícil encontrar pessoas que estejam disponíveis para dar tanto tempo em prol dos outros”. Assegurou que, depois de mais de 40 anos ao serviço do desporto e dos jovens, vai “continuar enquanto tiver força e ânimo”. Bastante emocionado, agradeceu ao pai, presente na sala, o património e os valores que lhe passou – “no atletismo, a par dos resultados desportivos, levamos às crianças e jovens, um patrinómio de valores que serão importantes para toda a sua vida, para serem melhores cidadãos e melhores pessoas”.



 
INFORMAÇÃO SOBRE TOPÓNIMOS ATRIBUÍDOS

Rua Frederico Howell
Urbanização do Vapor

Frederico George Howell, nascido em 18 de janeiro de 1845, na freguesia da Pena, em Lisboa, engenheiro civil formado em Inglaterra, veio para Portugal tendo sido um dos técnicos responsáveis pela construção do Aqueduto do Alviela entre 1871 e 1880, que assegurou o abastecimento de água a Lisboa.

Mais tarde, instalou-se no Cartaxo e comprou uma quinta onde construiu uma casa cujo mastro principal de um barco a vapor serviu de viga principal, a que chamou Quinta do Vapor.

De 1902 a 1904 Frederico Howell foi presidente da Câmara do Cartaxo. Grande republicano não deixou, no entanto, de receber o Rei D. Carlos na inauguração da ponte sobre o Tejo em Porto de Muge. Foi no seu mandato que se construiu e inaugurou o Hospital da Stª Casa da Misericórdia. Em frente fez construir a fonte que ainda hoje existe.

Uma das filhas de Frederico Howell casa com Calixto da Silva Guedes, surgindo assim a família Howell Guedes que veio a fundar a Drogaria Howell Guedes.



Rua José Rebordão
Urbanização do Valverde

José Moreira dos Santos Rebordão, nascido em 2 de outubro de 1923, na freguesia da Capinha, no Fundão. 

Frequentou o Colégio Militar de 1933-1940, onde terminou o secundário, tendo ingressado na Faculdade de Medicina de Lisboa, onde se licenciou aos 23 anos com a média de 16 valores. Em seguida, especializou-se em Oftalmologia e regressou ao Cartaxo onde casou com Maria Arlete Dinis Centeno, também médica.

Ocupou lugares públicos como vice-presidente da Câmara do Cartaxo durante a vigência do
Eng.º João Carlos Castro Reis e como presidente da Câmara em 1973-74.

Presidiu, durante alguns anos e com especial gosto, à direção do Grémio da Lavoura do Cartaxo.
Foi, todavia, como oftalmologista que ficou conhecido, tendo consultado gerações durante cerca de 50 anos, no Cartaxo, mas também em Santarém, Bombarral e Portalegre.

Faleceu no Cartaxo em 7 de maio de 2013.



Rua Francisco José Pereira
Urbanização do Quintalão
 
Francisco José Pereira nasceu no Cartaxo em 18 de Julho de 1864 e dedicou a sua vida à causa pública.

Concluiu o Curso de Farmácia na Universidade de Coimbra em 1886. Em 1891 adquiriu no Cartaxo o Jornal O Provinciano que mais tarde passará a chamar-se Ribatejo, que usará como um poderoso meio de propaganda ideológica. Republicano convicto foi um propagandista acérrimo dos ideais republicanos no concelho do Cartaxo, quer nos jornais, quer em comícios, tendo respondido várias vezes em processos de imprensa, sendo num condenado a 3 dias de prisão.

Logo após a implantação da República foi Presidente da Câmara do Cartaxo, Deputado à Assembleia Nacional Constituinte, Deputado à Câmara dos Deputados de 1911 a 1917 e de 1919 a 1922, em seguida, como Senador até 1926, sempre pelo Partido Democrático, e pelo círculo de Santarém.

Foi Director Geral Interino da Secretaria do Congresso da República entre 1920 e 1926.
 
 
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