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Situação de seca no país e na região

Pedro Magalhães Ribeiro defendeu “uma visão integrada, de partilha de experiências e de conhecimento entre as instituições públicas e privadas e as empresas”, a par de “esclarecimento que tranquilize a população”.

 
Carlos Castro diretor regional da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), Mário Silvestre, Comandante Operacional Distrital da Autoridade Nacional de Proteção Civil e Júlio Bento, administrador da Cartágua, apresentaram o diagnóstico sobre a situação dos recursos hídricos da região.
Pedro Magalhães Ribeiro defendeu “uma visão integrada, de partilha de experiências e de conhecimento entre as instituições públicas e privadas e as empresas”, a par de “esclarecimento que tranquilize a população”.
Para o presidente da Câmara, o investimento “que está em curso nas ETAR será estratégico e de enorme relevância na qualidade da água no nosso concelho e nos concelhos limítrofes”.
Coordenador da Divisão de Ambiente Obras e Equipamentos Municipais explicou as "alterações que temos vindo a efetuar para um uso mais racional da água nos espaços públicos, com elevadas poupanças". 


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A reunião de trabalho que, no dia 22 de novembro,  juntou executivo, presidentes de junta de freguesia, representantes das forças políticas no concelho, presidente da Assembleia Municipal, técnicos e trabalhadores do município do Cartaxo e da Cartágua, representantes de associações de defesa do ambiente ou de agricultores e forças de segurança, surgiu “na sequência das questões colocadas pela coligação Juntos pela Mudança, em reunião de câmara municipal”, afirmou Pedro Magalhães Ribeiro.
 
O presidente da Câmara Municipal do Cartaxo considerou que, “as questões colocadas, embora mais centradas na empresa concessionária e na ação do município, pareceram-me merecer a criação de um espaço de troca de conhecimentos e de debate, que nos permitisse tomar decisões esclarecidas”, afirmou defendendo que “quanto mais preocupante é a realidade, maior ponderação se exige aos responsáveis das instituições públicas”, defendeu que “o Cartaxo não está sozinho na região, nem  a seca é uma situação exclusiva do nosso concelho”, razões que o levaram a “alargar o debate a todos os que atuam nesta área”.

O autarca convidou para estarem presentes o diretor regional da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), Carlos Castro, para apresentar “o ponto da situação dos nossos recursos hídricos”, o Comandante Operacional Distrital da Autoridade Nacional de Proteção Civil, Mário Silvestre, para falar sobre alterações climáticas e “os riscos que já enfrentamos” e Júlio Bento administrador da Cartágua, para dar conta “da situação e expectativas de abastecimento de água no nosso concelho”. O presidente da EPAL foi também convidado para a reunião, mas compromisso já assumido para estar presente num encontro em Évora para debater este mesmo tema, não lhe permitiram estar presente.

APA monitoriza qualidade e quantidade da água
Carlos Castro enquadrou a situação da região “no quadro nacional, quer no que respeita a águas superficiais, quer subterrâneas”. O diretor regional da APA explicou que “no caso das águas superficiais, verificou-se um aumento do número de albufeiras que passaram a ser consideradas como críticas, passando a incluir as que apresentam um volume total de armazenado inferior a 20% ou as cotas de captação para os usos existentes obrigam a uma atenção redobrada”, elencando as zonas que já estão com classificação de estado crítico ou sob vigilância.

Também quanto às águas subterrâneas, “nalguns sistemas aquíferos, onde persistem níveis inferiores ao percentil 20, é expectável que os níveis de água subterrânea continuem a baixar devido ao fluxo natural, bem como às utilizações existentes, até ocorrer precipitação significativa que permita a recarga das massas de água”, afirmou, “nestas houve também, desde maio, um aumento das zonas críticas e das zonas sob vigilância”.

No que respeita à bacia hidrográfica do Tejo, a mais significativa para o Cartaxo e que abarca uma área de 1629 km², nos concelhos de Alcanena, Alenquer, Almeirim, Azambuja, Cadaval, Cartaxo, Entroncamento, Golegã, Rio Maior, Santarém, Tomar, Torres Novas, Vila Franca de Xira e Vila Nova da Barquinha, a situação agravou-se entre outubro de 2016 e outubro de 2017, “o valor dos níveis piezométricos inferiores ao percentil 20 passaram de 17% em 2016, para 60% em 2017”, o que leva a preocupação redobrada com o aquífero da margem direita do Tejo, “embora ainda não tenha entrado em zona crítica, devem ser tomadas medidas de utilização racional da água”.

No que respeita a água superficial, “ao Tejo em si, a APA, em parceria com a EDP, já tomou medidas, revendo os modos de exploração”, por exemplo nas albufeiras do Fratel e de Belver, “com a libertação de caudal em mais períodos, durante o dia”, de modo a garantir “um caudal mais constante ao longo do rio”. Já em Castelo de Bode e Pracana estão a ser instalados dispositivos para “permitir a libertação de caudais ecológicos”, que estarão a funcionar em dezembro.
 
Mário Silvestre aponta alterações climáticas como decisivas no futuro
O Comandante Operacional Distrital da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), elogiou a iniciativa da “Câmara Municipal do Cartaxo”, por considerar que “este é um tema da maior relevância para a ANPC” a nível nacional e regional, “não tanto no que respeita ao Cartaxo ou à área de Santarém, porque o acompanhamento que temos feito ao nível do CDOS (Comando Distrital de Operações de Socorro de Santarém), quer com a APA, quer com a EPAL, quer as empresas fornecedoras”, não há “para já, risco premente, nem se prevê que possa vir a estar comprometido o abastecimento de água à população”.

O Comandante do CDOS destaca a importância de “reunir entidades, autarcas e empresas para debater temas que se constituem como risco coletivo”, e a seca é um desses riscos, informando que “a 15 de novembro, aumentou a área em situação de seca extrema”, cerca de 6% do território estava em seca severa e 94% em seca extrema, “não se tendo verificado um desagravamento no início do outono como seria normal e se tem verificado em outras situações de seca”.

Mário Silvestre forneceu alguma informação sobre as condições meteorológicas, a partir de dados do IPMA, destacando que “este foi o mês de outubro mais quente dos últimos 87 anos, com o valor médio da temperatura média do ar cerca de 3°C acima do valor normal” e o “valor médio da precipitação em Portugal continental entre 1 e 15 de novembro foi muito inferior ao normal e corresponde a apenas 24% do valor médio mensal”, pelo que “não será a chuva esporádica prevista para os próximo dias”, que permitirá ultrapassar a seca extrema.

As alterações climáticas implicam com “tudo o que é a nossa vivência e vão determinar a maneira como vemos o futuro”, pelo que “a mudança que temos de fazer é cultural”.

Cartágua assegura que não está em causa o abastecimento de água à população
Júlio Bento, administrador da Cartágua, acompanhado por técnicos da empresa, deu explicações sobre o trabalho “que temos feito desde o primeiro dia para reduzir as perdas de água no sistema”, referindo que nos dois primeiros anos de concessão as perdas passaram de “45% para 22%, a intervenção nas roturas que surgem é também muito rápida”. Para o administrador “qualquer perda tem um custo para a empresa, é uma realidade, e também por isso a nossa atenção e rapidez de intervenção é necessária e o uso racional da água é um cuidado constante”, tal como “estamos muito atentos a consumos excessivos ou picos de consumo por parte os utilizadores”, alertando para situações que possam ser melhoradas.

A Cartágua recorre à compra de água à EPAL, mas “90% da água que tratamos e fornecemos é colhida nos cinco furos que estão a funcionar no concelho, sendo que três deles já têm mais de 30 anos e o mais recente tem quinze anos”. Júlio Bento explicou também que a aquisição de mais água à EPAL “teria repercussões no tarifário, aumentando o preço da água no consumidor”, conforme as projeções que a empresa já fez e a Câmara Municipal tem conhecimento, mas que “os níveis freáticos mantêm-se como há um ano, quando as bombas param, o furo recupera de imediato”, afirmou, não prevendo qualquer interrupção no fornecimento à população ou às empresas.

Reunião de trabalho contou com espaço para debate
O presidente da Assembleia Municipal, Augusto Parreira, José Louza em representação da Ecocartaxo, assim como o representante da PROVAPE, de forças políticas e presidentes de junta intervieram no debate.

Jorge Gaspar, vereador da Coligação Juntos pela Mudança, destacou a importância da reunião “marcada na sequência das questões colocadas” porque “temos que poupar os recursos hídricos do concelho”, referindo que “a nossa questão é muito simples, já aqui se falou mais de geopolítica da água, mais do que propriamente da água no Cartaxo”, referindo a convicção de que “também não vamos mudar culturas nem mentalidades, não temos esse poder, podemos é mudar políticas e modos de gestão”, afirmou.

Para o vereador “a empresa concessionária das águas do Cartaxo está a exaurir os recursos hídricos do concelho, recursos esses que já estão em situação crítica, como o Eng. Carlos Castro frisou. Se este modo de gestão da água no nosso concelho não mudar, não vamos ficar em situação crítica, vamos ficar em situação muitíssimo crítica”, reiterando que “assumimos como posição dos vereados Juntos pela Mudança, que os níveis de captação de água da Cartágua no nosso concelho têm que baixar, correspondendo ao aumento de água que compram à EPAL. Temos que poupar as nossas reservas”.

No decurso do debate Carlos Castro esclareceu que o aquífero “da margem direita do Tejo não está classificado como crítico, há um rebaixamento, mas não está sequer no estado sob vigilância, é considerado como podendo vir a ter problemas, mas não o classificámos ainda como tendo de facto problemas”, afirmando que “o aquífero é um conjunto, é um sistema complexo entre as reservas subterrâneas e as linhas de água de superfície e não funciona apenas no Cartaxo”. 
 
Também Mário Silvestre reforçou a “necessidade de olharmos esta questão de um modo bem mais abrangente”, para o Comandante “quando falamos em aliviar a pressão sobre as captações no Cartaxo, devemos estar cientes que as captações feitas nos outros concelhos são feitas no mesmo aquífero”, entendendo que “dentro deste paradigma, as políticas não podem ser só  do Cartaxo, porque infelizmente, a água não chove só no Cartaxo e o aquífero não é só do Cartaxo e, do que sei, os custos da água comprada à EPAL são significativamente superiores”.

Pedro Magalhães Ribeiro terminou a reunião, reconhecendo que “há muito por fazer”, pelo que “nas Grandes Opções do Plano para 2018, já incluímos valores que dedicaremos a uma campanha de educação ambiental. Estou convicto que será também ao nível da educação que devemos atuar”. 

Para o presidente da Câmara “é importante tranquilizar as pessoas, criar as condições para dar respostas imediatas se vierem a ser necessárias”, mas também desenvolver ações concretas que tenham repercussões a longo prazo, que assegurem o futuro “das reservas hídricas e a utilização racional da água enquanto bem comum e essencial a toda a humanidade. Não podemos resolver o todo, mas podemos influenciar e dar o nosso contributo não só enquanto utilizadores, mas também enquanto geração que cuida da geração seguinte, olhando a região e o país de que fazemos parte”, afirmou, lembrando a solidariedade que os Bombeiros Municipais têm demonstrado com a população do centro do país, quer no combate aos incêndios, quer participando com autotanques “para abastecer de água pessoas em dificuldades”.

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