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Câmara promove programa de apoio à família

Aprender a lidar com os desafios de ser pai ou mãe, educador ou familiar de uma criança ou de um adolescente, é a proposta do programa de educação parental que a Câmara Municipal do Cartaxo organiza desde 2009.


Aprender a lidar com os desafios de ser pai ou mãe, educador ou familiar de uma criança ou de um adolescente, é a proposta do programa de educação parental, que a Câmara Municipal do Cartaxo organiza desde 2009.
Distinguido em 2015 como Iniciativa de Alto Potencial em Inovação e Empreendedorismo Social, no âmbito do Mapa de Inovação e Empreendedorismo Social, o programa conta anualmente com a participação de cerca de três dezenas de familiares de crianças e jovens. 
A descoberta de​ que partilham as mesmas dificuldades com outras famílias e o reconhecimento de que a mudança do comportamento dos adultos é essencial à mudança do comportamento das crianças e dos jovens – foram conclusões comuns às intervenções dos familiares que participaram no encontro. 


 Abertura do Encontro
 Vereadora Elvira Tristão e Professora Filomena Gaspar
 Balanço e partilha de experiências pelos participantes
 Entrega de certificados aos participantes
 Entrega de certificados aos técnicos dinamizadores dos grupos
 Professora Filomena Gaspar e Conceição Reis - coordenadora da área de Ação Social e Saúde do Município do Cartaxo
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Os participantes nos programas de apoio à família organizados pela Câmara Municipal do Cartaxo na área de educação parental – Mais Família Mais Criança e Mais Família Mais Sensata –, reuniram-se na manhã do dia 18 de novembro no Auditório Municipal da Quinta das Pratas. O encontro contou com a presença de Maria Filomena Gaspar, professora da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra e coautora da adaptação para Portugal do programa Parenting Wisely de Don Gordon – cuja metodologia é seguida ao longo das 12 sessões de formação que constituem o programa.

O principal objetivo dos programas Mais Família é ajudar os pais e outros familiares a lidar com os desafios de educar uma criança, desenvolvendo atividades de suporte que os ajudem a compreender as suas próprias necessidades – sociais e emocionais – e as dos seus filhos ou netos, melhorando a qualidade das relações parentais, conforme explicou a vereadora Elvira Tristão, responsável pelo pelouro de Ação Social e Saúde do Município, que deu as boas-vindas às famílias e aos técnicos presentes no Encontro.

“Este programa de apoio à família faz cada vez mais sentido”, enquanto espaço de “reflexão e partilha sobre aquilo que é ser mãe, pai, avó. Os desafios da parentalidade são cada vez maiores, numa sociedade em mudança vertiginosa”, afirmou a autarca, assegurando que o programa vai continuar em 2018.

Encontro prevê partilha de experiências entre participantes
Durante a manhã foram os familiares que fizeram o balanço e a avaliação quer das ferramentas e estratégias que adquiriram ao longo das sessões, quer dos resultados concretos que agora sentem na relação com as crianças e jovens de quem são cuidadores. 

Em representação dos grupos que integraram, seis mães e uma avó, partilharam as suas experiências. Com alguma emoção, destacaram os momentos mais divertidos das sessões, como as técnicas de dramatização que as levaram a encenar conversas do dia a dia, falaram das motivações que as levaram a participar no programa, das dificuldades e dúvidas que enfrentam enquanto educadoras, de como as ferramentas adquiridas as ajudaram a encontrar novos modos de se relacionarem os filhos e os netos, embora algumas sejam difíceis de por em prática todos os dias, e de como a partilha dentro do grupo as ajudou a enfrentar os desafios maiores.

Comum a todas as intervenções, a descoberta que fizeram ao longo das sessões de que “não era só eu que tinha aqueles problemas, descobri que outros pais passam pelas mesmas situações” ou a afirmação que quase todas fizeram – “eu também tinha de mudar” porque não era apenas a criança ou jovem que “estava errado, eu também estava errada e quando eu mudei, ele também mudou”.

A importância de mais pais participarem ou de serem criados grupos para homens, assim como a necessidade de envolver toda a família no cumprimento das estratégias que aprenderam, foram outros temas abordados pelas representantes dos grupos que defendem ser “importantíssimo dar continuidade a este programa”.

A família é o primeiro contexto de formação das competências de caráter
Maria Filomena Gaspar, professora da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, participou no encontro destacando a importância do papel da família na formação das crianças e jovens e a necessidade de “a sociedade investir na família”, considerando que “em Portugal não há políticas de apoio à família”.

Referindo-se à “crescente exigência colocada hoje às crianças e jovens”, destacou a necessidade de estarem preparados para “lidarem com a frustração, resistirem ao stress, serem inovadores, serem persistentes”, competências de caráter “que apenas se formam e desenvolvem na relação com os outros. A família é o primeiro contexto de formação das competências de caráter e por isso tem de ser suportada e apoiada”.

As crianças e jovens “vão ter de lidar com a imprevisibilidade, vão ter de lidar com a mudança como nós nunca tivemos”, pelo que precisam desenvolver a capacidade de “autodeterminação, de fazer escolhas muito cedo e de as levarem até ao fim, de se autorregularem. Os desafios são brutais”, afirmando que “a educação parental não é a resposta mágica, é parte de uma resposta muito mais vasta que a sociedade tem de assumir como uma bandeira”, para que pais e mães “tenham mais tempo útil com as crianças”, numa sociedade envelhecida, com taxas de natalidade que “não renova gerações há um caminho que é urgente iniciar”.

Para a coautora do programa Mais Família “a educação parental é um desafio que colocamos a nós mesmos de, através de um conjunto de estratégias que os facilitadores dos grupos nos propõem, mudarmos comportamentos”. Destacando a partilha de experiências, de problemas e de desafios “que se faz entre os participantes de cada grupo”, que permite compreender “que não estamos sozinhos, que somos normais, que os comportamentos desafiantes dos nossos filhos são comuns a outras famílias”, Maria Filomena Gaspar afirma o “papel dos grupos de educação parental como espaços de integração social e de “criação de redes de apoio”.

Mais Família – Programa de Educação Parental
O programa de educação parental divide-se em Mais Família Mais Criança e Mais Família Mais Sensata, direcionados para pais de crianças dos 3 aos 6 anos de idade e para pais de crianças dos 10 aos 16 anos de idade, respetivamente.  A atenção positiva, o uso de elogios ou como aprender a manter a calma, são alguns dos temas abordados nas sessões. 

A participação é gratuita, as sessões têm a duração de duas horas semanais ao longo de 12 semanas e decorrem, habitualmente entre maio e julho, com encontros de acompanhamento três e seis meses depois do final das sessões. Desde 2009, mais de três centenas de pessoas participaram no programa.


Para saber mais sobre o programa Mais Família
Consulte AQUI
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