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Cinema às Sextas - Treblinka

Um documentário único sobre o mal e a sobrevivência, para ser visto ou revisto na sexta-feira, 16 de março, às 22h00, no Centro Cultural do Cartaxo.

 
Em TREBLINKA ouvem-se as vozes de vários testemunhos do extermínio. A parte principal corresponde a excertos das memórias de Chil Rajchman cuja publicação teve lugar já neste século, após a morte do autor. Chil Rajchman, um judeu polaco, foi detido com a irmã mais nova em 1942 e enviado para Treblinka, um campo onde foram exterminadas mais de 750.000 pessoas. Mal chegaram, a sua irmã foi enviada para as câmaras de gás, mas Chil Rajchman escapou à execução, trabalhando sob ameaças e espancamentos contínuos durante dez meses como barbeiro, separador de roupas, carregador de cadáveres, arrancador de dentes.

Em agosto de 1943, houve uma revolta no campo e Rajchman foi um dos poucos que conseguiu escapar vivo. Em 1945, passou a escrito este testemunho único, que só foi publicado pelos seus filhos no início do século XXI. São as suas palavras que se ouvem em TREBLINKA.

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Bilhetes – 3,00 euros
M/12

Informações: (+351) 243 701 600 ou ccultural@cm-cartaxo.pt [horário da bilheteira - 4.ª e 5.ª feira das 15h00 às 20h00, 6.ª e sábado das 15h00 às 22h00. Em caso de eventos agendados ao domingo, a bilheteira funciona das 15h00 às 19h00]


Sobre Treblinka...

“Intransigente rigor. O grande cinema está aqui.”
João Lopes, Diário de Notícias

"A verdade é que se trata de um belo filme, um dos poucos filmes sobre o Holocausto que, mais do que à compaixão, apela à reflexão."
Esther Mucznik, PÚBLICO – LEIA NA ÍNTEGRA: https://www.publico.pt/2017/07/18/culturaipsilon/opiniao/treblinka-o-filme-e-a-realidade-1779387

“Se não leram "Se Isto É Um Homem" de Primo Levi, vejam o filme "Treblinka" de Sérgio Tréfaut. Se leram, vejam na mesma. É duro, como tem de ser. É bonito na sua dureza.”
Ricardo Paes Mamede

“É um filme impressionante sobre tudo aquilo que não se vê, povoado de fantasmas que viajam num comboio. O mais importante é tudo aquilo que está fora do ecrã, que somos convidados a imaginar.”
Manuel Halpern, Visão

“Treblinka é um objecto inusitado onde há uma estranha beleza na revisitação do que não pode ser representado”
Jorge Leitão Ramos, Expresso

“O mais arrojado e arriscado dos documentários que Tréfaut assinou até hoje”
Vasco Baptista Marques, Expresso

“Além do seu mérito artístico, este filme tem o mérito pedagógico em não deixar esquecer uma memória que é útil para o presente e para o futuro.”
Marcelo Rebelo de Sousa na antestreia de TREBLINKA






NOTA DO REALIZADOR

“Treblinka é um filme que se foi construindo lentamente, num processo que não tinha um plano pré-estabelecido. Há cerca de cinco anos escrevi um projecto de documentário sobre uma sobrevivente do Holocausto, Marceline Loridan-Ivens – a viúva de Joris Ivens – enviada aos 13 anos para os campos de Auschwitz-Birkenau. Perdeu o pai em Auschwitz e trabalhou como prisioneira em Birkenau. A experiência marcou-a para toda a vida.

Quando encontrei Marceline pela primeira vez, reconheci e admirei nela a sobrevivente. Muitas das testemunhas do horror absoluto puseram fim à vida enquanto estavam nos campos; muitas outras suicidaram-se depois de regressarem à vida normal. Inicialmente, eu tinha a intenção de construir um documentário baseado em conversas e focando essencialmente as memórias de pessoas desaparecidas, mortas, que acompanham os sobreviventes ao longo da vida. Como fantasmas.

Marceline costumava dizer: “Odeio comboios, não importa para onde vão”. Ela sentia que todos os comboios se dirigiam para Auschwitz. Numa tentativa de evocar esse lugar impossível entre a vida e a morte, decidi rodar o filme a bordo de comboios de longa distância na Europa do Leste. O conjunto das filmagens realizou-se em três países: Polónia, Rússia e Ucrânia. Tratando-se do Holocausto, era expectável que todas as filmagens decorressem em comboios polacos ou nos diversos campos que visitei durante a minha pesquisa - Treblinka, Auschwitz, Birkenau, entre outros. Mas o turismo de massas que se apoderou dos centros de memória do Holocausto perturbou-me e levou-me a pensar sobre a banalização do horror absoluto, que poderia ser um equivalente perverso da banalidade do mal, estudada por Hanna Arendt.

Totalmente em contraste com o turismo organizado do Holocausto, estão duas experiências muito fortes que tive ao ler textos importantes sobre os campos da morte: Treblinka : a survivor’s memory, de Chil Rajchman (mal conseguia respirar enquanto lia) e a investigação de Gitte Sereny Into That Darkness, com centenas de horas de entrevistas cruzadas centradas em Frank Stangl, o comandante-chefe de Treblinka.

A leitura desses livros fortaleceu em mim o sentimento de que as palavras podem ser mais fortes que as imagens. Sobretudo hoje, quando as imagens do horror se tornaram tão banais. Ao mesmo tempo, nestes últimos anos, com a actualidade da guerra na Síria, o lado mais negro da humanidade – em todo o seu horror e indiferença – esteve sempre presente enquanto eu trabalhava neste filme. Creio que viver entre fantasmas é uma experiência partilhada por homens e mulheres de muito diferentes. Todos os que sobreviveram a um massacre: as vítimas dos campos Nazis, mas também os sobreviventes de genocídios no Cambodja, no Ruanda, na Bósnia ou, mais recentemente, na Síria e no Iraque.

Treblinka é um filme de vozes e de corpos nus, a maior parte das vezes reflectidos nas janelas de um comboio. O público pode sentir-se desconfortável com a estética das imagens. Pode parecer contraditório falar do horror utilizando imagens belas. Mas, ao longo da história da arte, a beleza tem sido sempre utilizada para retratar as mais horrendas situações. E é através desta forma de expressão que é possível evocar e reflectir. Quase todos os textos deste filme são traduções russas das memórias de Chil Rajchman; algumas outras são conversas de que me recordo ter tido com sobreviventes. «Quem sou eu?» e «Por que continuarei a viver?» são questões repetidas sem fim pelos que resistem”.  Sérgio Tréfaut

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