CANDIDATAS A RAINHA DAS VINDIMAS DO CONCELHO DO CARTAXO DISTINGUEM TRABALHO DE MULHERES DAS OITO FREGUESIAS
O “Eterno Feminino – Histórias de Mulheres da Minha Terra” foi o tema da Prova de Comunicação e Expressão, realizada no dia 26 de Setembro, em Pontével.
A prova de Comunicação e Expressão do concurso da Rainha das Vindimas 2009, realizada no dia 26 de Setembro, no Auditório da Sociedade Filarmónica Incrível Pontevelense, traduziu-se num grande espectáculo, no qual as mulheres foram verdadeiramente as protagonistas.
O “Eterno Feminino – Histórias de Mulheres da Minha Terra” foi o ponto de partida para as oito candidatas desenvolverem um trabalho de pesquisa e de representação em torno de uma mulher que tenha tido um papel interventivo e marcante na sua freguesia.
Perante uma sala cheia, as representantes das oito freguesias do concelho encarnaram mulheres lutadoras, que amaram verdadeiramente a sua terra e a ela se dedicaram de corpo e alma, durante uma vida inteira. Mulheres que, desempenhando funções de professoras, enfermeiras, animadoras culturais e vindimadoras, ou simplesmente a título pessoal, movidas por um grande amor pelas pessoas e pela terra, contribuíram para diminuir desigualdades e construir uma freguesia melhor.
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Cartaxo apresenta as memórias de uma descendente de tanoeiros Maria de La Salete, de 20 anos, candidata da freguesia do Cartaxo, foi por alguns momentos Maria Adelaide Oliveira. Sentada num banco de jardim, a jovem candidata foi relatando a vida da cartaxeira que é neta e filha de tanoeiros.
Recuando no tempo, esta candidata recordou o trabalho árduo de fabrico dos barris, os bailes, as sardinhadas, as festas de S. João e os namoricos. “Momentos muito bonitos, mas vividos numa época totalmente diferente”, trazidos ao presente recorrendo à memória de Maria Adelaide – uma mulher de 63 anos, que ajudou o pai na arte da tanoaria, nas vinhas e que hoje é cozinheira e proprietária de um restaurante de comida tradicional, situado no Cartaxo. |
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Ereira distingue mulher que lutou pela igualdade no acesso à escola A freguesia da Ereira teve entre as suas gentes uma mulher que se distinguiu pela luta pelas igualdades sociais, inconformada com a falta de acesso das crianças do sexo feminino à escola, esta mulher, de nome Maria da Conceição Ramos, decidiu vender parte das suas terras com o objectivo de financiar a construção de uma escola feminina na Ereira.
Foi Daniela Penedos, de 17 anos, que representou, na primeira pessoa, esta mulher corajosa, cujo nome está associado a um largo situado no centro da localidade. Na memória das pessoas da terra ficou a frase “não saber ler é uma escuridão”, associada aos princípios que tanto marcaram Maria da Conceição Ramos. |
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Lapa teve uma professora que fez da ajuda social a sua bandeira Um quadro e uma secretária antigos compuseram o cenário produzido pela candidata representante da freguesia da Lapa, que trouxe ao presente a figura da professora Argentina Nascimento – uma mulher que “amava os miúdos” e que chegou a esta freguesia aos 21 anos.
Cristiana Carvalho, de 18 anos, contou como a luta desta mulher foi importante para a conquista de melhores condições para os alunos. Um dos marcos mais importantes foi a construção de uma cantina para servir as refeições às crianças, inaugurada em 1960. Esta professora organizou também várias actividades recreativas para angariar fundos para a Caixa Escolar, destinada a ajudar os mais pobres. |
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Pontével homenageia mulher que repartiu a vida entre a costura e a cultura A candidata de Pontével, Tatiana da Costa, de 15 anos, apresentou uma mulher que teve duas grandes paixões na vida: a costura e a cultura. Num cenário onde não faltou a máquina de costurar e os vestidos de chita, Tatiana prestou uma humilde homenagem a Venilde Anastácio, que viveu entre 1944 e 1994.
Esta mulher “com uma grande sensibilidade para a arte e a cultura” fez parte de várias colectividades da freguesia, assumindo um papel importante enquanto animadora cultural. Entre os principais testemunhos deixados por esta pontevelense, consta um documento escrito onde apresenta um inventário das principais necessidades que identificou para os jovens e os menos jovens. |
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Valada recordou professora que queria um Natal mais risonho para as crianças A professora Júlia Pimenta, que nasceu em 1911 e faleceu em 1949, foi uma mulher que não marcou apenas uma geração, continuando a ser uma referência nos dias de hoje para a população de Valada.
A candidata Débora do Carmo, de 15 anos, vestiu-se a rigor e, fazendo-se acompanhar em palco de duas crianças, sentadas nas antigas carteiras da escola, recordou passagens da vida desta mulher “exigente”.
A par dos castigos que dava aos alunos mais mal comportados, esta mulher demonstrava o seu amor pelos mais pequenos proporcionando, por exemplo, um Natal mais feliz às crianças – “os alunos escreviam num papelinho os seus desejos, que eram depois concretizados com a ajuda do dinheiro que Júlia Pimenta angariava junto dos agricultores”. |
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Vale da Pedra associa-se à preservação da identidade local Foi para que as recordações perdurassem no tempo que a candidata em representação da freguesia de Vale da Pedra, Ana Filipa Campos, de 19 anos, deixou escritas as principais tradições e actividades rurais da sua freguesia, numa representação complementada com a apresentação de fotografias antigas.
Esta candidata distinguiu uma mulher chamada Gertrudes pelo papel social desempenhado em prol do desenvolvimento da freguesia – “ajudou a construir a aldeia, não permitia que os empregados fossem explorados e foi uma mãe e avó muito carinhosa”. Por todo o trabalho que abnegadamente desenvolveu, Ana Filipa Campos desafiou a Junta de Freguesia a atribuir o nome desta mulher a uma rua da freguesia. |
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Vale da Pinta distinguiu trabalho da “enfermeira do povo” De lenço na cabeça e vestida de preto, a jovem Ana Sofia Moreira, de 15 anos, foi por breves instantes uma valepintense de 96 anos, que durante grande parte da sua vida prestou apoio de enfermagem junto dos mais necessitados. Esta “enfermeira do povo”, como ainda hoje é chamada, foi uma pessoa “com um grande coração”, que ajudou a população de Vale da Pinta e das localidades vizinhas.
“Trouxe muitos meninos ao mundo, ajudou a curar doenças e ajudou a manter as vacinas em dia. Foi a vontade de ajudar o outro que a moveu neste caminho”, frisou a candidata Ana Sofia Moreira. |
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Vila Chã de Ourique enaltece mulher dedicada à causa social Joana Ferreira, de 15 anos, candidata representante da freguesia de Vila Chã de Ourique, contou com a colaboração em palco de duas amigas para a representação de uma passagem da Batalha de Ourique e do ambiente da apanha das uvas. A vindimadora foi apresentada por esta candidata como símbolo das gentes trabalhadoras que caracterizam a sua terra e que “fazem tudo para manter as suas tradições”.
Joana Ferreira elegeu a mulher que há 13 anos fundou a Casa do Idoso, que em 1999 abriu o ATL e que brevemente vai abrir as portas da nova creche como uma das figuras mais importantes da freguesia, considerando a sua dedicação e empenho à causa social. |