Rancho de homens e mulheres que fazem a vindima, os vinhateiros, popularmente chamados de “caramelos”, são trabalhadores rurais que na altura das vindimas chegavam ao Ribatejo, essencialmente vindos do norte do país, para trabalhar no campo.
Factor de forte identificação com o meio rural e com a terra, a vindima manual, é, sem dúvida, de tamanha importância cultural para o nosso país. Tradicionalmente, as uvas eram recolhidas à mão pelas mulheres, que utilizavam a faca ou a tesoura, enquanto os mais novos despejavam as cestas por elas enchidas e os homens carregavam às costas os “cestos vindimos”, com destino ao lagar ou a grandes dornas, que depois eram transportadas até às adegas para a pisa das uvas, onde se encontravam os lagareiros.
Os seus trajes simples e modestos podem hoje ser observados em diversos grupos de ranchos folclóricos que recriam a tradição daquilo que constituía antigamente a vindima. A mulher envergava uma saia comprida de flanela, avental à cintura, camisa de flanela, meias até ao joelho e lenço pela cabeça. O homem, por seu turno, apresentava-se com um colete e calça de fazenda, habitualmente cinzento, faixa preta à cintura, camisa de fazenda e mitra preto na cabeça. Trajes simples para um trabalho árduo de sol a sol, sempre acompanhado de diversos cantares populares que estes homens e mulheres vinhateiros iam trauteando, até à derradeira festa da Adiafa, no último dia de vindima.
Citando, António Mesquita: “(…) o período das vindimas era duma beleza, dum entusiasmo indescritíveis, que se comunicavam até aos estranhos.
As mulheres cantavam na vindima, cantavam pelos caminhos cercando os carros com as dornas de uvas, cantavam ainda á noite nos pátios e nas adegas onde iam desafiar os lagareiros para o bailarico (…)”
Fonte: MESQUITA, António; Boletim da Junta Geral do Distrito de Santarém; Novembro 1936
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