É talvez uma das castas portuguesas mais antigas e, de entre as brancas, também a mais cultivada, especialmente no Ribatejo e na Bairrada, nesta última conhecida por Maria Gomes.
De porte não muito exuberante, a Fernão Pires distingue-se pelos seus cachos de tamanho médio, algo compactados, e bagos de cor verde amarelada, arredondados e pequenos. Com um desenvolvimento retumbante, adapta-se bem a uma diversidade de porta-enxertos e não se mostra muito exigente quanto aos terrenos e à localização, produzindo bem, quer na várzea, quer na encosta.
Indicada para o fabrico de vinhos licorosos e abafados, devido ao seu alto teor de açúcar, tem uma maturação muito precoce, sendo, por isso, uma das primeiras castas portuguesas a ser vindimada. Casta bastante produtiva e vigorosa, teme as geadas tardias e as chuvas por altura da floração.
De aromas cítricos maduros e notas de mimosa, tília e laranjeira, é extremamente gabada pelos seus dotes aromáticos e pela capacidade de, quando bem tratada, proporcionar vinhos de excelente qualidade, distintos e de forte personalidade. Porém, quando elementares e novos, os seus vinhos tornam-se desequilibrados, fortemente alcoólicos e de fermentação muito lenta, ficando, por vezes, bastante maduros e com um aroma grosseiro característico. Há também quem a critique por ser uma casta bastante sujeita à oxidação e por considerar os seus vinhos demasiado planos e sem acidez.
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