Habitualmente identificado pelo seu traje de gala, composto por calção preto, colete encarnado, barrete verde com borla encarnada e orla da mesma cor, camisa branca de peitilho, meias brancas de canhão bordado e sapato preto com salto de prateleira, onde assentam as esporas, o campino é uma personagem típica do Ribatejo.
Homem do campo, simples e discreto, passa despercebido em toda aquela a que denominamos de Festa Brava, contudo, o seu papel é extremamente importante, uma vez que é ele que todos os dias conduz o gado no campo. O seu traje de trabalho não é, porém, aquele pelo qual o melhor identificamos. É um traje mais simples e cómodo para os seus afazeres diários, composto por jaqueta, colete, cinta preta e calça comprida.
Trabalhador rural ligado à condução de gado, em especial de touros, já é longa a sua existência e, não se sabendo ao certo a data da mesma, estima-se que os primeiros campinos tenham aparecido aquando das primeiras casas agrícolas, que necessitavam de alguém que guardasse e conduzisse o gado. Em escritos de Oliveira Martins, de finais do século XIX, podem mesmo encontrar-se diversas referências a estes homens do campo tipicamente ribatejanos: “(...) chegamos ao Tejo (...). Nele com efeito o campino nos traz à ideia o tipo dessas raças da África setentrional, Líbios ou Mouros cujo sangue anda misturado nas nossas veias. (...) A cavalo, de pampilho ao ombro, grossos sapatos ferrados, gorro vermelho na cabeça, o Ribatejano, pastoreando os rebanhos de toiros nas campinas húmidas e vicejantes, é como um beduíno do Nilo (...)”.
Com a implantação do Estado Novo, em 1933, o campino vê a sua condição de trabalhador rural alterada. Durante o regime salazarista é transformado em arquétipo social e numa referência em que toda a Nação se reconhecia e através do qual se pretendia dar um motivo de orgulho nacional para todos.
Tal como Amália os cantava:
“(...)
Campinos do Ribatejo, gente feliz, gente sã!
Nem sabe como os invejo ao vê-los pela manhã!
Quem vem assim confiado junto do gado é que está crente
Que esses bravos animais são mais leais que muita gente!
Visto de longe o campino, tem tal nobreza a sua figura,
Que há nele a mesma grandeza que existe numa escultura
Tem na mão firme o pampilho, se algum novilho se desmalhou
É varonil quando passa, é a própria raça que alguém modelou”
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