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Rua António Mesquita


A 13 de Agosto de 1946 faleceu, na então vila do Cartaxo, com 78 anos de idade, António da Silva Mesquita, abastado proprietário e irmão do dramaturgo Marcelino Mesquita. Como era solteiro, deixou todos os seus bens à “querida e amada Vila do Cartaxo representada pela sua Câmara Municipal”.

Dos bens que doou a esta Câmara Municipal constavam: “uma propriedade situada na Rua Marcelino Mesquita, composta de parte urbana e parte rústica (…) com todas as estantes, livros, mesas e cadeiras existentes nas duas salas”. Segundo António Mesquita, a Câmara, ao aceitar o presente legado, comprometia-se a abrir na parte urbana da referida casa uma Biblioteca para leitura pública, de todos os livros ali existentes seus e os que pertenceram a seu irmão. Esta Biblioteca teria então, o que efectivamente veio a acontecer, a denominação de “ Biblioteca Marcelino Mesquita”. No restante terreno anexo à casa veio mais tarde a ser construída a Escola do Ciclo Preparatório “José Tagarro”, mais tarde E.B. 2,3 “José Tagarro”.

A partir de 2 de Dezembro de 1956, a Biblioteca Municipal Marcelino Mesquita, quase com a componente de Casa Museu e Arquivo, passou a ter em regime de depósito o espólio do dramaturgo Marcelino Mesquita, integrando várias fotografias da família Mesquita, correspondência, documentos manuscritos, folhas soltas, jornais e revistas, grande parte preservados por António Mesquita.

António Mesquita tinha um grande gosto por temas culturais, para além de ser um conhecido vitivinicultor da região. A ele se deve a vinda aos Chavões do pianista húngaro Liszt, que andava em digressão pela Europa, e como amador fotográfico, participando em numerosas exposições. A fotografia “Lagareiro” esteve exposta no I Salão Nacional de Arte Fotográfica, em Lisboa.

Colaborou como numerosos escritos em revistas, abordando temas de vitivinicultura, realçando aspectos etnográficos em relação à Festa do Vinho no Cartaxo, como o que se pode ler no “Boletim da Junta Geral do Distrito de Santarém”, em Novembro de 1936: “Como era natural, sendo a cultura da vinha e o fabrico do vinho objecto de um verdadeiro culto no Cartaxo, o período das vindimas era duma beleza, dum entusiasmo indescritíveis, que se comunicavam até aos estranhos.
As mulheres cantavam na vindima, cantavam pelos caminhos cercando os carros com as dornas de uvas, cantavam ainda à noite nos pátios e nas adegas onde iam desafiar os lagareiros para o bailarico(…)”
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Depois do grande drama que foi a filoxera, um insecto hemíptero muito pequeno que destruiu grande parte das vinhas em Portugal, em finais do século XIX, ao qual as vinhas do Cartaxo também não resistiram, deve-se a António Mesquita o início da recomposição das vinhas no Cartaxo, pela introdução do bacelo americano. Escreve ele em 1 de Fevereiro de 1890: “O primeiro bacelo americano que se plantou no Cartaxo, foi na vinha ao Casal Branco, conhecida pelo nome de vinha do Pardal, por ter pertencido a Joaquim Lopes Pardal”.

Também fez algumas incursões pela política local, tendo sido nomeado Administrador do Concelho, em 1910 e 1915.

Ainda por amor à terra que o viu nascer, deixou em testamento outros bens que, por vicissitudes várias, não chegaram a entrar na posse da Câmara Municipal: “Deixo ainda à mesma Câmara Municipal do Cartaxo a minha propriedade conhecida e denominada Ribeira de Pontével, sita na freguesia de Pontével deste concelho (…) para ali serem construídos e postos a funcionar os três estabelecimentos que passo a indicar e que eu iniciaria se a vida mo permitisse, visto ser esta a aspiração do meu falecido irmão Marcelino Mesquita e pai António da Silva Mesquita. São elas: uma Maternidade, uma Casa de Educação para Crianças Pobres e um Asilo para Velhos e Inválidos (…) Este legado fica porém cativo do usufruto a favor da minha sobrinha Inês Mesquita Ressano Garcia até à morte do último. No caso da Câmara não aceitar este legado, o prédio referido reverterá a favor daqueles que legalmente sucederem aos usufrutuários”, o que realmente veio a acontecer.

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