A Câmara Municipal do Cartaxo apresentou hoje, dia 10 de Dezembro, o “Programa Fome Zero” – um programa municipal, desenvolvido em parceria com o Banco Alimentar Contra a Fome e sustentado com a Rede Social do Município, que tem como principal objectivo combater a fome no concelho. O município vai, em parceria com o Banco Alimentar, transformar cada euro poupado num bem alimentar.
Paulo Caldas, presidente do Município do Cartaxo, acredita que “as comunidades devem ajudar aqueles que mais necessitam, de uma forma sustentável” e defende que “a solidariedade não deve ser apenas um acto das alturas especiais e das épocas festivas, porque a fome é uma realidade com que os mais carenciados se deparam todos os dias”.
O Programa parte do princípio de que o desperdício pode servir para ajudar a combater a fome. No fundo, “trata-se de converter o que todos nós conseguimos poupar em contributos para a satisfação básica das necessidades da nossa população”, reforçou Paulo Caldas, considerando que “o termo desperdício, politicamente, é inconveniente, mas eu não tenho problema nenhum em afirmar que há muito desperdício que é feito, pelos políticos e pela comunidade também. Há que dizê-lo e ter também a coragem e a capacidade para assumir que conseguimos converter isso em coisas boas. Esta é uma coisa boa. Quando convertemos um euro num alimento, estamos a ajudar de modo imediato, mas de forma sustentada”, afirmou.

Em parceria com uma instituição idónea, credível e organizada, quer do ponto de vista logístico, quer do ponto de vista de recursos humanos e equipamentos – como é o Banco Alimentar Contra a Fome –, será criada uma ponte entre o município e a população, de forma a assegurar que todos os residentes no concelho tenham a possibilidade de aceder aos bens alimentares de que necessitam.
Paulo Caldas enalteceu o princípio de transparência de gestão do Banco Alimentar Contra a Fome e afirmou que “este foi um dos factores que levou è escolha desta instituição como parceira do projecto”.
O trabalho desenvolvido pelas cinco instituições locais que já trabalham em parceria com o Banco Alimentar de Santarém foi também valorizado pelo presidente da autarquia, designadamente o Centro Paroquial de Bem-Estar Social de Pontével, Conferência S. Francisco de Assis, Conferência S. Vicente de Paulo, Cruz Vermelha Portuguesa – Núcleo do Cartaxo e Jardim de Infância do Cartaxo.
“Agradeço o trabalho destas instituições, integradas na nossa Rede Social, porque sem elas este nosso projecto também não seria possível”, acrescentou Paulo Caldas. Neste momento, estas cinco instituições entregam alimentos a 697 munícipes do concelho.
“Sabemos que os dias são cada vez mais difíceis e não se prevê que 2011 seja melhor que 2010. Contudo, é através de pequenos grandes contributos como este que conseguimos garantir que haja mais alimentos a chegar aos mais necessitados e assim conseguimos reduzir os números da fome”, sublinhou o presidente da Câmara.
Garantir que quem reside no concelho do Cartaxo não viva com fome “é um objectivo que requer a existência de um espírito mais solidário. O objectivo não passa por entregar dinheiro ao Banco Alimentar, tem de ser mais do que uma subvenção financeira. É incutirmos na comunidade uma maior sensibilidade para os problemas sociais, que leve a ajudas na operacionalidade ou directamente à recolha de alimentos”, reforçou Paulo Caldas.

Em termos de acções concretas, este programa irá envolver a atribuição de valores pecuniários, de acordo com necessidades das instituições apoiadas pelo Banco Alimentar – transformar um euro em um alimento; a procura de parceiros institucionais – públicos e privados – que queiram integrar o Programa como financiadores; a associação a actividades do município – área cultural e desportiva – para angariação de fundos para o Programa; e reforço da relação entre a Rede Social e a comunidade.
Paulo Caldas entende que é necessário dar visibilidade a este projecto, “pode ser útil para sensibilizarmos a comunidade e angariarmos contribuintes que queiram fazer parte deste projecto. Em conjunto com a comunidade, com um parceiro certo e com a nossa Rede Social, é possível unirmo-nos neste objectivo de combate à fome, utilizando as nossas poupanças e convertendo-as em alimentos”.
A Câmara Municipal deu hoje o seu primeiro contributo ao Banco Alimentar, entregando-lhe um cheque no valor de 3.500 euros – custos habitualmente ligados à celebração do Natal, que este ano serão poupados e entregues a este Programa.
Município do Cartaxo é a primeira entidade pública a apoiar o Banco Alimentar de Santarém
Ramiro Matos, presidente do Banco Alimentar Contra a Fome de Santarém, começou por felicitar o presidente da Câmara Municipal do Cartaxo por este Programa, cuja iniciativa faz do Município do Cartaxo a primeira entidade pública a apoiar o Banco Alimentar.
“O concelho do Cartaxo está de parabéns. Muito obrigado Sr. presidente da Câmara pela importância que deu a este protocolo. Em nome de todas as pessoas que apoiamos, muito obrigado pelo seu exemplo”, referiu Ramiro Matos, dirigindo-se a Paulo Caldas.
O presidente do Banco Alimentar de Santarém afirmou que “certamente há muitos autarcas que preferem ignorar e esconder o facto de existir fome nos seus concelhos, sentimos que fecham as portas ao Banco Alimentar porque têm vergonha de assumir essa realidade. Felicito portanto a coragem deste projecto e a iniciativa do Sr. Presidente da Câmara”.
O modelo do “Programa – Fome Zero” vai também ao encontro dos critérios defendidos pelo Banco Alimentar, tanto que recebeu uma aceitação imediata por parte da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares, informou também Ramiro Matos.
Ramiro Matos acredita que com este Programa “vamos conseguir ser mais pró-activos no concelho do Cartaxo, vamos distribuir alimentos com maior regularidade e em maior quantidade e vamos ainda conseguir diagnosticar mais casos, juntamente com a Rede Social, para que no Cartaxo a fome seja zero”.
O valor cedido pela autarquia será “um importante contributo para o Banco Alimentar fazer face às suas despesas normais”. Esta instituição, com a dimensão de uma média empresa, distribuiu anualmente entre 200 a 250 toneladas de alimentos, “o que requer uma logística significativa”, acrescentou Ramiro Matos.
Bancos Alimentares – princípios defendidos
Os Bancos Alimentares lutam contra o desperdício de produtos alimentares e encaminham-nos para distribuição gratuita às pessoas carenciadas. A dádiva, a partilha, o voluntariado e o mecenato são os principais suportes da sua acção.
A sua organização logística profissional assegura a recolha e o encaminhamento de produtos alimentares, a sua triagem e armazenagem, o controlo de qualidade e a rede de frio.
Acresce o facto destas instituições terem uma total transparência. Além de serem não governamentais, apolíticas e não confessionais, praticam uma gestão transparente, possuindo contabilidade organizada e as contas são auditadas anualmente por uma empresa exterior.