A Feira Rural está de regresso à cidade do Cartaxo já neste mês de Março. No último domingo do mês, dia 27, os produtores e comerciantes das oito freguesias do concelho voltam a trazer ao largo da Praça de Touros a qualidade e a frescura dos produtos típicos do concelho. A iniciativa vai repetir-se todos os últimos domingos de cada mês, até final do ano.
Esta 2.ª edição da Feira Rural foi apresentada no passado dia 21 de Março e contou com a presença do presidente e vice-presidente da Câmara Municipal, Paulo Caldas e Paulo Varanda, respectivamente, dos autarcas das Juntas de Freguesia do concelho e do presidente da Confederação Nacional de Jovens Agricultores de Portugal, Luís Miranda.
Segundo o presidente do Município, 2011 será o ano de afirmação deste evento, enquanto “projecto que valoriza a identidade rural, a vertente económica, a realidade comunitária e social e a passagem de testemunho da importância da agricultura sustentável às novas gerações”.

Paulo Caldas classificou este projecto como sendo “ambicioso, mas ganhador”, e concretizado numa altura económico-financeira difícil. A complementaridade das várias componentes a ele associadas é o que torna este projecto diferente dos outros realizados no país.
“Juntar a parte económica ao apoio social faz com que este seja um projecto inédito no país. Acredito que este ano, com as novidades que temos preparadas – porque somos ano após ano mais ambiciosos –, vamos conseguir as bases de um evento que só nos afirma como verdadeira Capital do Vinho, da vinha e do mundo rural”, afirmou Paulo Caldas.
A atribuição de “cheques rurais” aos munícipes mais carenciados do concelho, portadores do Cartão Sénior, é um dos principais elementos que diferencia a Feira Rural do Cartaxo das outras feiras do género realizadas no país.
“Resultado de uma iniciativa inédita, os cheques rurais permitem apoiar milhares de pessoas do concelho com menores rendimentos. Conseguimos dessa forma valorizar os nossos produtos naturais – também com um conceito biológico associado –, o lançamento da nossa agricultura e ruralidade, em termos económicos, e a componente social, abrangendo as famílias mais necessitadas”, reforçou o presidente do município.
Para Paulo Caldas, o sucesso alcançado na edição de 2010 só foi possível graças à parceria estabelecida com a Confederação Nacional de Jovens Agricultores, mas também à colaboração dos presidentes das oito Juntas de Freguesia do concelho.
“Os nossos presidentes de Junta foram indispensáveis neste projecto, porque sem eles não teríamos conseguido chegar tão próximo da nossa comunidade. É do trabalho conjunto que nasce a força deste projecto, por isso queria também sublinhar a importância da presença das colectividades do concelho, que ao longo das nove feiras animaram o recinto, contribuindo também para a valorização da nossa cultura”, acrescentou Paulo Caldas.
O facto da feira se realizar no centro da cidade é também importante para “valorizar a matriz rural – urbana. Todos ganhamos com as freguesias a convergirem para um pólo central, porque isso permite encontrar no centro da cidade a ruralidade que tanto enriquece o nosso concelho e marca a nossa identidade”, reforçou o autarca.
Paulo Caldas enalteceu também a presença dos cerca de 40 produtores que regularmente marcaram presença nas feiras de 2010. “Não é fácil encontrar este número de produtores da terra dispostos a transportar a riqueza que produzem para o plano comercial. Estou certo que conseguiremos incentivar mais produtores para 2011, mas sempre dentro dos princípios da agricultura biológica e natural, não estamos interessados simplesmente em aumentar este número, preferimos a qualidade à quantidade”, afirmou Paulo Caldas.
Para o presidente do Município, os produtores assumem um papel nesta feira que vai muito mais além da comercialização de produtos. “Eles são representativos daquilo que é a produção das nossas freguesias. São sensíveis à importância da qualidade dos produtos e sensibilizam também a comunidade para esta perspectiva diferenciada”.

Fazendo o balanço da edição de 2010, Paulo Caldas afirmou que “a Feira Rural conseguiu atingir, logo no primeiro ano, os objectivos a que se propôs. Penso que o que lançámos em 2010 tem um caminho promissor, que nos tempos que correm, é um caminho exigente, mas que todos em conjunto conseguiremos abraçar e valorizar, para que este evento continue a ser a melhor expressão daquilo que se pode admitir como sendo o pensar global, agir local”.
Cheques rurais são uma iniciativa inédita no país e nas edições de 2010 beneficiaram mais de 2500 seniores do concelho do Cartaxo
A Feira Rural do Cartaxo tem a particularidade de contribuir para reforçar o apoio social prestado aos seniores do concelho, que podem usufruir de vantagens especiais junto dos produtores. Mediante o levantamento de "cheques rurais", junto da Câmara e das Juntas de Freguesia, os seniores, portadores do Cartão Sénior Municipal, têm acesso, gratuitamente, a frutas e legumes frescos.
Traduzindo a dimensão do apoio social em números, o vice-presidente da Câmara Municipal, Paulo Varanda – que é quem lidera o projecto da Feira Rural do Cartaxo –, anunciou que nas nove iniciativas realizadas no ano passado foram entregues 12.780 cheques, que beneficiaram mensalmente, em termos médios, 284 munícipes. No total, foi entregue cerca de uma tonelada e meia de produtos hortícolas e frutas por mês, no âmbito deste apoio social.
Paulo Varanda distinguiu também a tendência crescente do levantamento dos cheques rurais, que se verificou sobretudo devido “ao apoio que todas as freguesias deram a este projecto, que foi fundamental para que conseguíssemos exceder as fronteiras da cidade e chegássemos às oito freguesias”, revelou.
Dos produtos vendidos ao longo das nove feiras realizadas em 2010, 43% corresponderam a frutas e legumes e 28% a produtos regionais e tradicionais (doçaria, queijos, enchidos, pão, vinhos, etc.).
“O ano de 2010 foi um sucesso e acreditamos que o ano de 2011 ainda irá trazer novidades mais positivas”, acrescentou Paulo Varanda, convicto de que a componente educativa associada à edição deste ano vai valorizar ainda mais o projecto.
Além de manter as características das edições do ano passado – nomeadamente o cariz social associado aos “cheques rurais” – esta feira assume este ano uma maior valorização no que diz respeito à relação com a comunidade escolar.
“Temos o objectivo de envolver todas as escolas do concelho neste projecto. Numa fase inicial, serão as escolas básicas do 1.º ciclo a receberem acções de valorização da identidade do concelho e da importância do consumo dos produtos da nossa terra. Queremos dar um passo em frente no sentido da defesa intransigente daquilo que consideramos ser um modo de estar e de viver saudável”, frisou Paulo Varanda.
Integração da feira do Cartaxo na Rede Rural Nacional permite estender o projecto à comunidade escolar
O presidente da Confederação Nacional dos Jovens Agricultores, Luís Miranda, explicou que esta valorização da componente educativa associada à Feira Rural foi possível graças à integração da feira na Rede Rural Nacional.
“O município do Cartaxo é muito ambicioso, portanto o projecto não poderia ficar por aqui. Foi o efeito demonstrativo do bom trabalho feito em conjunto que permitiu efectuar uma candidatura a um programa comunitário – a Rede Rural Nacional – para desenvolver um conjunto de iniciativas ligadas ao mundo escolar”, reforçou Luís Miranda, defendendo que “a formação dos jovens deve ser feita desde tenra idade, por isso pretendemos levar às comunidades mais novas a importância da agricultura, sobretudo a sustentável”.
A candidatura à Rede Rural Nacional foi aprovada no final do ano de 2010 e as actividades nas escolas vão avançar também a par do lançamento desta 2.ª edição da Feira Rural.
“Uma Quinta na Escola” é o projecto que visa precisamente envolver a comunidade escolar no mundo dos frutos e legumes, através de actividades desenvolvidas quer em sala de aula, quer em espaço aberto. Melhorar o conhecimento sobre os alimentos, aumentar a consciência da importância de uma alimentação saudável e conhecer boas práticas agrícolas são alguns dos objectivos das diversas acções que poderão ser desenvolvidas no âmbito deste projecto.
“Não podemos esquecer que 30% da comunidade escolar do 1.º ciclo é pré-obesa. Isso é preocupante e é nesse sentido que estamos a desenvolver este projecto, que será duradouro, ou seja, queremos que o seu o impacto se note muito para além de 2011 e 2012, porque tem muito a ver com a alteração dos hábitos alimentares e o aumento da consciência quanto à importância de uma agricultura sustentável”, reforçou Luís Miranda.
Luís Miranda agradeceu a confiança que o Município do Cartaxo depositou neste projecto, afirmando que “o caminho foi persistente, mas se não houvesse esta determinação por parte do Município, este projecto não seria possível, tanto mais que é sui generis, porque há muitas feiras rurais pelo país, mas com as características que a do Cartaxo tem, não há”.
Luís Miranda refere-se, não apenas à vertente do apoio social através dos cheques rurais, mas a factores como “a preocupação de carácter estético, de valorização dos próprios produtos e de integração da feira no próprio espaço da cidade”.
“Ao contrário do que verificamos noutras feiras – em que se verifica pouco mais do que o transpor dos próprios mercados locais para o exterior –, no Cartaxo houve sempre a preocupação de valorizar os produtos locais, não só em termos agrícolas, como também de artesanato, e os agricultores do concelho. É uma feira que dá oportunidade também aos pequenos produtores – que não têm possibilidade de escoar os seus produtos por uma outra via, por não terem dimensão ou dificuldade de acesso ao mercado – encontrar aqui uma alternativa”, acrescentou Luís Miranda.
O presidente da Confederação Nacional dos Jovens Agricultores sublinhou ainda o facto “de este evento ter sido sempre suportado na totalidade pelo município, sem qualquer tipo de apoio, seja comunitário ou regional. Isso, nos momentos difíceis que em 2010 já se conheciam, demonstra uma enorme determinação e coragem do Município”.