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2009-12-21

PRIMEIRA FEIRA RURAL DO MUNICÍPIO DO CARTAXO SUPERA EXPECTATIVAS

Dinamização da economia local, promoção da alimentação saudável e apoio aos seniores mais carenciados do concelho fazem deste evento inédito em Portugal um êxito

A primeira Feira Rural do Município do Cartaxo, que decorreu no Pavilhão Municipal de Exposições, durante o passado domingo, 20 de Dezembro, superou as expectativas da maioria dos produtores aderentes, da organização – Câmara Municipal e Confederação Nacional de Jovens Agricultores de Portugal (CNJ) – e dos munícipes, que não temendo o frio intenso que se fez sentir, acorreram a este espaço de venda de produtos tradicionais, entre as 9h00 e as 18h00.

A afluência das pessoas à feira foi um dos aspectos mais positivos realçados por Paulo Varanda, vice-presidente da Câmara Municipal, que afirmou estar “plenamente satisfeito com esta primeira iniciativa, porque as pessoas estão a perceber o conceito que queremos transmitir, que passa pela valorização dos nossos produtos e das nossas tradições”, referiu.

Este “espaço aberto a todos e para todos”, como caracterizou Paulo Varanda, tem a particularidade de significar um importante instrumento de apoio social para os idosos mais carenciados do concelho, portadores do Cartão Sénior Municipal. Estes munícipes usufruíram de um “cheque rural”, no valor de cinco euros, que puderam trocar por frutas e legumes.

Segundo o vice-presidente da autarquia, este cheque “é uma das grandes mais-valias desta feira, que a diferencia de outros eventos do género, realizados um pouco por todo o país, e que ajuda os nossos idosos de uma forma diferente, funcionando como um cabaz de Natal à escolha de cada um”, reforçou.

Artesanato, flores, plantas para cultivo, vinhos, pão, queijos, enchidos, azeite, frutos secos, cereais, frutas e legumes foram os produtos trazidos à cidade por 25 produtores e comerciantes locais, que participaram numa “iniciativa inédita em Portugal”, como afirmou Luís Miranda, presidente da CNJ.

“A Feira Rural é uma aposta ganha, não só para a Confederação, mas sobretudo para a Câmara Municipal do Cartaxo, que aceitou o desafio de fazer uma feira deste género –primeira e única em Portugal. Há muitas feiras semelhantes, mas esta é inédita porque, além de permitir uma interligação com o mundo rural, tem como objectivo, essencialmente, promover a economia local. Os agricultores, que ultimamente têm tido algumas dificuldades em comercializar os seus produtos, e muitos deles sentem-se desmotivados, têm aqui um local alternativo, onde podem vender, directamente, o produto ao consumidor”, afirmou.

Luís Miranda sublinhou ainda o carácter ambiental desta feira, que associa a alimentação saudável ao consumo dos produtos sazonais – “é como um projecto quilómetro zero, em que as pessoas têm oportunidade de comprar produtos dos seus próprios lugares, sem que estes tenham de percorrer grandes distâncias para chegarem às suas mãos”, acrescentou.

Quanto ao “cheque rural”, também característica única em eventos desta natureza, o presidente da CNJ afirmou que este tem a capacidade de “colmatar cerca de 70% das necessidades de fruta e legumes que as pessoas têm mensalmente”.

Fernando Vieira, vendedor ambulante de frutas e hortaliças no concelho, foi um dos produtores presentes nesta primeira feira, expondo frutas da época, legumes frescos e azeite novo. Por “conhecer bem” as pessoas das várias freguesias por onde passa regularmente a vender os seus produtos, Fernando Vieira constatou que atendeu munícipes de todo o concelho. “O meu trabalho é andar a percorrer o concelho e encontrei aqui pessoas de todas as freguesias. Muitas delas vieram cá entregar o cheque rural, levando em troca, sobretudo, frutas”, afirmou.

O pão caseiro, “ainda quentinho”, foi trazido de Vale da Pinta para o Cartaxo por Adelaide Caria, que ficou tão satisfeita com esta primeira feira que garantiu estar interessada em regressar nas próximas edições. Também António Borralho, que todos os sábados vende os seus queijos tradicionais no Mercado Municipal, gostou da criação deste evento. “Espero que se realizem mais feiras como esta, para eu poder continuar a vir. É uma excelente forma de promovermos os nossos produtos e de convivermos uns com os outros”, referiu. 

Todas as iniciativas que tenham como objectivo incentivar o comércio tradicional “são de louvar”, considerou Carlos Caria, que trouxe a este espaço queijos e enchidos. “Costuma-se dizer que quem não aparece, esquece, por isso é importante participarmos em tudo o que seja para dinamizar o comércio do concelho”, afirmou.

A Câmara Municipal aponta a realização da segunda edição do evento para o início do próximo ano. Até lá, a autarquia pretende avaliar a possibilidade de esta se vir a realizar num local mais central da cidade, como a Praça 15 de Dezembro ou a Rua Batalhoz, o que irá contribuir também para uma maior dinamização do comércio local aí existente.


» REPORTAGEM FOTOGRÁFICA DA FEIRA



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