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2010-07-16

CÂMARA DO CARTAXO APOSTA NA EDUCAÇÃO PARENTAL

Programas abrangeram este ano quase meia centena de pais e é objectivo da autarquia alargar as acções a todos os jardins de infância

Na sequência do interesse demonstrado pelos pais no ano transacto, a Câmara Municipal do Cartaxo, em conjunto com alguns parceiros da Rede Social, promoveu uma vez mais Programas de Educação Parental, sendo que pela primeira vez estas acções envolveram pais de crianças com idades entre os 2 e os 6 anos.

O Programa decorreu entre os meses de Abril e Junho, com 45 pais de crianças e jovens dos 2 aos 6 anos (Programa Mais Família Mais Criança) e dos 10 aos 16 anos (Programa Mais Família Mais Sensata), tendo sido constituídos seis grupos de pais, dinamizados cada um por dois técnicos, em regime de voluntariado.

Sendo hoje consensual que os pais necessitam de apoio para levar a cabo a sua função e lidar com os diferentes desafios que ser pai/mãe colocam, a educação parental assume-se como uma resposta natural, tendo como objectivo aumentar a qualidade das relações entre pais e filhos, desenvolvendo estratégias de parentalidade positiva.

Em cada uma das doze sessões foram abordados temas diferentes, destacando a importância de princípios e “ferramentas” da parentalidade eficaz, tais como: atenção positiva; uso de elogios – salientar o que têm e fazem de melhor os filhos; dar ordens e estabelecer limites; aprender a ignorar comportamentos desadequados; consequências negativas para os comportamentos indesejados; resultados escolares e a questão das “más companhias”. A metodologia utilizada baseia-se em princípios da participação activa, discussão de temas, reflexão, dinâmicas e dramatizações em grupo, partindo da experiência dos pais.



A população alvo foi este ano maioritariamente constituída por pais de crianças dos Jardins de Infância do Cartaxo, de Pontével e de Vale da Pedra e por pais de crianças apoiadas pela Intervenção Precoce. O objectivo da Câmara Municipal é estender os Programas, no próximo ano, aos restantes Jardins de Infância do concelho, com vista a dar respostas aos pais o mais cedo possível, de forma a prevenir problemas de comportamento no futuro.

A mais valia deste tipo de Programas tem sido partir das experiências e aptidões parentais, reconhecendo as competências já adquiridas enquanto pais, e aumentar a consciência relativamente aos seus valores, às atitudes e às práticas parentais de educação, em vez de “dar receitas para educar”.

Colaboraram na promoção destes programas os seguintes parceiros da Rede Social: Agrupamento D. Sancho I – Pontével, Agrupamento Marcelino Mesquita – Cartaxo, Associação de Pais e Encarregados de Educação da Escola Secundária, Associação de Pais e Encarregados de Educação do Agrupamento Marcelino Mesquita, Centro Social Paroquial de Vale da Pinta, CPCJ do Cartaxo, Intervenção Precoce do Concelho do Cartaxo, Jardim de Infância do Cartaxo, Serviço Local de Segurança Social, UCC — Unidade de Cuidados na Comunidade do Cartaxo – Agrupamento de Centros de Saúde do Ribatejo.

Programa ajuda pais a encontrar respostas

Quando as crianças se começam a impor demasiado e a desrespeitar as regras, há pais que não sabem o que fazer. Conscientes de que eles próprios não dispõem do tempo necessário para os filhos – fruto de uma vida cada vez mais activa – os pais deparam-se com dificuldades em assegurar uma relação familiar saudável e uma educação que proporcione um desenvolvimento equilibrado da criança.

Sandra Anastácio tem duas filhas, uma com 6 anos e outra com 12 anos. Foi sobretudo a diferença de idades que as separa e os comportamentos diferentes que demonstram que levou esta mãe a interessar-se pelo Programa de Educação Parental.

“Imaginei que este programa fosse uma boa aposta para me ajudar a encontrar um equilíbrio entre elas. Porque com estas vidas activas que temos agora, por vezes estamos tão cansados que qualquer choque que aconteça entre elas nós temos vontade de explodir”, começou por descrever Sandra, acrescentando que “aqui recebemos ferramentas que nos ajudam a conseguir ir moldando as diferentes situações”.

Esta mãe conseguiu encontrar no Programa várias respostas às suas preocupações. A que mais a apoquentava “era saber se estamos a agir da melhor forma e perceber até onde podemos ir sem as magoar, sem deixar marcas para situações futuras”.



Foi sobretudo essa incerteza que levou Filipe Palma a aceitar a proposta da sua esposa para integrar o Programa. “Provocava-me alguma inquietação imaginar que, caso estivesse a educar mal agora, qual seria a repercussão no futuro”.

Na tentativa de procurar conselhos para uma “educação melhor” para as suas duas filhas – uma de 2 anos e outra de 5 anos – Filipe Palma diz já ter colhido alguns resultados bastante positivos. “Eu costumava irritar-me muito facilmente e isso já tenho vindo a melhorar. Consegui também que elas comecem a fazer algumas coisas que antes não faziam. Agora é só uma questão de tempo”, referiu, confiante.

Depois de dois filhos que não deram grandes inquietações, o terceiro fez Maria do Céu Marinho pensar que poderia não estar capacitada dos melhores instrumentos para levar por diante a difícil tarefa que é educar.

“A minha filha mais nova tem um comportamento muito diferente, é muito mais activa e tem uma grande capacidade de se impor, e eu achei que em algumas situações necessitava de um apoio suplementar para lidar com elas. Pelo conteúdo do curso vi que aqui poderia encontrar algumas ferramentas para entendê-la melhor e para me entender melhor”, explicou Maria do Céu.

Por vezes, nem se trata de grandes ensinamentos, mas de pequenos alertas. “Não é que este Programa me tenha transmitido coisas que desconhecia, mas despertou-me para muitas situações que eu fazia menos correctas. Tento respeitá-la mais”, referiu, acrescentando que “só esta partilha com os outros pais, de vermos que há problemas que são comuns, já é muito importante”.



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