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2010-11-02

QUATRO EMPRESAS VISITADAS POR OCASIÃO DA EXPOCARTAXO

O Dia Aberto às Empresas permitiu conhecer os novos projectos das empresas do concelho do Cartaxo

Quatro empresas do concelho do Cartaxo abriram as suas portas no dia 29 de Outubro, no âmbito da iniciativa Dia Aberto às Empresas, que se realizou por ocasião da ExpoCartaxo 2010, que decorreu entre os dias 28 de Outubro e 1 de Novembro.

Este ano, autarcas, empresários e representantes de várias entidades locais e regionais visitaram as empresas Lusofane, Fernando Marques Gouveia & C.ª Lda., Alfagri e Agrosport.

Mais do que conhecer “por dentro” as instalações e a actividade destas empresas, constatar dificuldades e conhecer novos projectos, esta iniciativa pretende ser um contributo para a “aproximação das entidades à malha empresarial – onde se luta pela manutenção de empregos e pelo desenvolvimento económico”, frisou Paulo Varanda, vice-presidente da Câmara Municipal do Cartaxo.

Para o autarca, o Cartaxo tem reunidas neste momento as condições estratégicas que permitem ao concelho ser um pólo de atractividade empresarial. “Não são apenas as nossas políticas de diminuição de impostos que atraem as empresas, é a grande aposta nas áreas de localização empresarial e nas acessibilidades, que vieram consolidar o Cartaxo como território muito atractivo para a concretização de projectos empresariais”, acrescentou Paulo Varanda.

Jorge Pisca, presidente do Núcleo da Nersant do Cartaxo, acredita que “a partir de 2011 virão os bons anos para as empresas”, sobretudo a nível local, com a concretização das áreas empresariais do Casal Branco e do Falcão.

“O Valleypark vai assumir-se como um pólo tecnológico e de investigação muito importante, que vai dar um impulso grande ao concelho. Há que ultrapassar a crise. Não podemos só dialogar, temos de trabalhar”, apelou Jorge Pisca.

Lusofane – inovação e tecnologia no fabrico de tubos
Situada na freguesia de Vila Chã de Ourique, a Lusofane S.A. é uma empresa que se dedica ao fabrico de tubos de polipropileno. A empresa está em actividade desde 1949 e foi em 1962 que o grupo construiu a fábrica no Cartaxo, com cerca de 10 mil m2 de instalações. Em 2005 a Lusofane integra o grupo Plomyolas.

“Inovar” é uma das palavras-chave da Lusofane, que tem como objectivo fundamental “oferecer produtos inovadores adequados às necessidades dos clientes”, destacou o director-geral Joaquim Esperancinha.
 

A par disso, a vertente tecnológica tem sido também uma das grandes apostas, tendo a empresa feito este ano um investimento na ordem dos 2,5 milhões de euros numa linha de fabrico de tubos. “Dos grãos para fazer o tubo até à arrumação na palete, praticamente não há intervenção do trabalhador”, referiu o director-geral.

O saneamento básico é uma das áreas mais estratégicas da empresa a nível nacional, considerando que “40% do país ainda não tem saneamento”, acrescentou ainda o responsável.

Actualmente, a Lusofane tem 63 colaboradores. No ano passado, o volume de facturação da empresa foi de 22 milhões de euros e 30 mil toneladas. A exportação atinge 23% da produção, com destino ao Irão, África, Rússia e Ucrânia.

Fernando Gouveia aposta na frescura e na qualidade das ervas aromáticas
Foi há 20 anos, num pequeno armazém, que Fernando Gouveia deu os primeiros passos na construção de um negócio que hoje é um exemplo de sucesso. A casa cresceu e as pessoas também. Neste momento, cerca de 50 pessoas cuidam das 33 variedades de ervas aromáticas produzidas pela empresa Fernando Marques Gouveia e C.ª, Lda, cujas estufas se dividem entre as freguesias do Cartaxo e de Vale da Pinta.

Desde o cultivo ao embalamento, as ervas aromáticas são preparadas “com cuidado e qualidade”, para serem consumidas em estabelecimentos como os dos grupos Jerónimo Martins, Sonae, Makro ou em restaurantes, hotéis e outros grossistas.

“Estamos sempre a inovar e a fazer experiências para melhorar o produto. A qualidade é um dos pilares mais importantes na empresa, por isso temos pessoas especializadas. Mas é um trabalho que tem muita mão-de-obra, porque cada planta é diferente e tem de ser tratada de forma individualizada”, explicou a filha de Fernando Gouveia, que há dez anos trabalha na empresa.

A empresa tem cerca de 5 hectares de área de produção. No ano passado, a empresa registou 1,5 milhões de facturação, com uma saída diária de cerca de 6 a 7 mil unidades.

Entre as variedades mais vendidas estão a salsa, a hortelã, os coentros, o cebolinho e o manjericão. A malagueta e o piripiri são duas das novas experiências que estão a ser testadas nas estufas. 

Uma pequena empresa do ramo agrícola que resiste às dificuldades
A Alfagri, Lda. é uma empresa do ramo da agricultura, sedeada na Zona Industrial da Lapa, que iniciou actividade em 1994. O crescimento da empresa e a evolução das alfaias agrícolas foram processos que andaram a par das necessidades dos clientes.

“Começámos a ser mais solicitados e a fazer protótipos, com a ajuda dos clientes, que nos explicavam quais as suas necessidades”, explicou Tiago Bento, responsável pela empresa e filho do fundador.

Estar à frente de uma “empresa pequena que quer dar o seu parecer no mercado nacional e internacional” não é tarefa fácil. Todo o processo de produção das alfaias é feito nas instalações da empresa, que está equipada com maquinaria construída internamente.

“Muitas destas máquinas que transformam o aço e o ferro foram desenhadas e montadas pelo meu pai. São originais, tentámos poupar e rentabilizar”, referiu o responsável pela empresa, acrescentando que uma dessas máquinas consegue pintar 750 peças por hora.

Perante as dificuldades económico-financeiras, Tiago Bento afirma que “é difícil fazer face a este mercado. Internamente, ao nível das mini alfaias, temos alguma concorrência na zona norte. E estamos a sentir quebras a nível internacional – antes vendíamos cerca de 200 alfaias de três em três meses, enquanto que agora estamos a vender cerca de 200 por ano”, revelou.

A incapacidade de responder à concorrência dos preços dos produtos do mercado asiático e o abandono da agricultura têm afectado também a actividade da Alfagri.

Agrosport cria robot de soldar cofragens
Há dois anos que o empresário Paulo Neves se lançou “numa brincadeira” que acabou por revolucionar o fabrico de cofragens. Responsável pela empresa Agrosport, que há 21 anos desenvolve actividade no mercado da construção civil, Paulo Neves decidiu avançar para um “projecto inovador”, criado num novo armazém da empresa, na Zona Industrial da Lapa.

Neste novo projecto, o empresário adopta o alumínio em vez do ferro para cofragens e montou um robot que é o responsável pela soldadura. “É uma máquina feita à minha imagem, onde investi meio milhão de euros. O meu objectivo não é substituir as pessoas, é aliviar as pessoas”, afirma Paulo Neves.

O que antes demorava oito horas a fazer, esta nova máquina demora pouco mais de meia hora, e segundo o empresário, “o produto é bom, porque quem comprou, voltou a comprar. A principal vantagem do produto é a versatilidade, dá para aplicar em caixas de elevadores, muros e pilares”. Contudo, a internacionalização “não tem sido fácil”.

A crise que afecta a construção civil veio também afectar o negócio e “a procura diminuiu”. Mas está ainda nas expectativas de Paulo Neves criar um robot de manipulação, que fechará o processo de fabrico das cofragens.




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