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2012-01-30

Pedro Gil na 40.ª Conversa na Taberna
“Não tenho dúvidas de que o sector agro-industrial e o turismo são uma solução para combater a crise”

O enólogo e vereador Pedro Gil foi o convidado da 40.ª edição das Conversas na Taberna, que decorreu no dia 25 de Janeiro, no Museu Rural e do Vinho. Uma conversa que trouxe ao presente memórias de outros tempos, mas também apreciações sobre a realidade de um território que tem muito para oferecer a quem o visita.

Pedro Gil – casado e pai de quatro filhos – divide hoje o seu tempo entre o laboratório da Adega Cooperativa do Cartaxo e o gabinete da Câmara Municipal. Enólogo e vereador – duas funções que exigem responsabilidades distintas, mas que se guiam por princípios idênticos e que conduzem, essencialmente, à valorização das potencialidades do concelho.

De um lado, tem a seu cargo a criação de muitos dos vinhos que conferem notoriedade ao Cartaxo. Do outro, tem nas mãos o projecto Cartaxo – Capital do Vinho e áreas como o turismo e o desporto, vertentes que defende como potenciais para afirmar o território no contexto regional, nacional e internacional.

Natural da freguesia da Ereira, Pedro Gil é um ribatejano que se orgulha das suas raízes, assumindo uma ligação “muito afectiva” ao meio rural onde cresceu. Desses tempos de criança, recorda com nostalgia o jardim de infância do Centro Social da Ereira, instituição à qual agora regressou, enquanto dirigente.

Entre a infância e a juventude, foram sobretudo três os locais que lhe trazem boas recordações. A sua terra natal, claro está, mas também o Cartaxo, com passagem pelas escolas José Tagarro e Secundária. Foi aí que consolidou o gosto pelo futebol, modalidade que praticou até aos 30 anos.

O terceiro local de referência é a capital de distrito. Santarém foi o local onde cumpriu o serviço militar, mas também aquele que ditou a sua carreira profissional. Pedro Gil frequentou a Escola Superior Agrária de Santarém, completando o curso de Indústria Agro-Alimentar, na área dos vinhos.

“O primeiro contacto que tive com os vinhos foi na Ereira, porque o meu avô fazia vinho e na aldeia era comum as pessoas cultivarem vinha. E posso dizer que ainda tive o prazer de pisar as uvas”.

Foi na Adega Cooperativa do Cartaxo que o mundo dos vinhos passou verdadeiramente a fazer parte da sua vida. Mas esteve para não acontecer. “Quando terminei o curso e saí do União de Santarém, com 24 anos, tive um convite para ser profissional de futebol. Mas decidi apostar na área profissional dos vinhos”.

Vestiu então a camisola da Adega Cooperativa, onde está há 16 anos. E não está arrependido. “É um projecto muito aliciante. Eu tenho crescido com a Adega e ela tem também crescido comigo. Somos uma equipa, com projectos com os quais eu me identifico, e penso que temos conseguido levar a Adega a bom porto”.

Fora do ambiente profissional, Pedro Gil descobriu um hobby – o BTT – que o tem levado a descobrir outras paisagens, muitas delas bem longe do olhar. “Não sendo um praticante habitual, faço viagens marcantes, algumas delas no estrangeiro, como o caso da travessia dos Pirenéus, que já fiz duas vezes”.

A política surgiu também mais recentemente, primeiro enquanto presidente da mesa da Assembleia de Freguesia da Ereira, depois enquanto vereador, na sequência de um convite do então presidente da Câmara Paulo Caldas. “Além de me identificar com o PS, identifico-me mais com as pessoas e com os seus projectos”.

Um dos projectos municipais a que dá rosto é o Cartaxo – Capital do Vinho. “Uma realidade que pode e deve ser muito mais valorizada”, porque Pedro Gil acredita que há potencialidades que ainda podem ser mais exploradas.

“Não tenho dúvidas de que o sector agro-industrial e o turismo são uma solução para combater a crise. Temos de produzir cada vez mais e promover e divulgar mais o nosso território”. Isso pode ser conseguido através de uma nova modalidade para as rotas do vinho, que conjugue vertentes como a vitivinicultura, a paisagem, a restauração, a hotelaria e o artesanato.

Nesse domínio, “o Cartaxo tem um leque de ofertas que abarca tudo isso”. Contudo, também não deixa de ser verdade que “é necessário aproximarmo-nos mais do rio Tejo, desenvolver o desporto ligado a passeios pedestres ou de BTT, promover rotas temáticas que divulguem a flora e a fauna, a paisagem ou as casas agrícolas”.



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