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2010-11-26

José Raposo na 29.ª edição das Conversas na Taberna

“Se não for a tradição, nada nos motiva na vida”

José Raposo é um homem de palcos. Habituado a assumir diferentes papéis, vai mudando de personagem, mostrando ao país facetas que não são propriamente as suas. Longe dos cenários do teatro e do grande ecrã, as Conversas na Taberna permitiram descobrir José Raposo, no dia 23 de Novembro.

Um homem simples, divertido, próximo das pessoas. Da televisão para a mesa do Museu Rural e do Vinho pareceu um passo tão acessível quanto o seu diálogo, natural e modesto.

O actor que todos conhecem do teatro e da televisão nasceu em Angola, mas sempre manteve uma ligação forte com o concelho do Cartaxo, especialmente com Pontével, terra natal dos seus avós paternos.

Era em Pontével que José Raposo, desde pequeno, passava as “férias grandes” de Verão. “Considero Pontével a minha terra, porque as costelas estão ligadas aqui”. Ainda adolescente, deixou para trás as terras africanas e passou a viver nos arredores de Lisboa, com os pais.

Aos 18 anos, um casting no Teatro Adoque foi o primeiro passo para um grande voo, que tornou José Raposo uma pessoa conhecida de todos os portugueses. A sua notoriedade esteve sempre reservada aos palcos, porque fora deles José Raposo preza em ser uma pessoa comum, castiça até.   

“Tive sempre uma ligação mais forte à vivência popular do que à elite «socialite». Frequentei sempre mais as tascas do que os restaurantes. Sou uma pessoa muito ligada ao povo. Mesmo no teatro, fiz mais o teatro ligeiro – revista e não só – ligado às massas, do que o teatro elitista”.

Apreciador de vinhos, “mas não um conhecedor nato”, José Raposo gosta de beber um bom néctar à refeição. “Temos a sorte de viver num país em que se faz bons vinhos e em que eles fazem parte da nossa mesa”. Hoje, José Raposo participa apenas no acto de provar e beber, mas se recuássemos algum tempo veríamos José Raposo em pleno lagar.

“O meu avô tinha uma adega em Pontével e fazia vinho. Ainda pisei algumas uvas. Eu adorava porque era um motivo de diversão, não era apenas o acto de pisar, mas todo o convívio que se gerava na adega”.

Tal como muitas tradições, José Raposo lamenta que a revista à portuguesa se vá perdendo. “Nunca compreendi porque é que ela é considerada um teatro menor. A revista à portuguesa é uma coisa muito nossa, com características genuinamente portuguesas. Se for bem representada e encenada, é um grande espectáculo. Mas o problema é que temos muito preconceito”.

E porque, “se não for a tradição, nada nos motiva na vida”, entre as suas recordações, José Raposo lembra ainda a taberna da Cruz do Campo, onde durante anos parou para comer as conhecidas sandes de atum e onde “fazia por estar ali um bocadinho”.

Hoje, muitas das tabernas de Lisboa já fecharam as suas portas. Outras delas “estão muito sofisticadas e, a pensar nos turistas, fecham à meia-noite”. Por outro lado, “com a vida que levamos, é difícil encontrar as tertúlias de antigamente”.

É a procura do ambiente popular e castiço que leva José Raposo até algumas tabernas de Lisboa que ainda preservam as características tradicionais destes espaços e onde ainda se canta o fado vadio. É aí que um copo de vinho sobre a toalha aos quadrados da mesa tem outro sabor…

 



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