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2011-03-21

SEIS RESTAURANTES DA CAPITAL DO VINHO PRESENTES NO II CONCURSO DE IGUARIAS E VINHOS DO TEJO

Júri do concurso degustou a ementa dos restaurantes do concelho do Cartaxo no dia 17 de Março

Cartaxo é o concelho da região com mais restaurantes a participarem neste concurso

Taberna do Alfaiate foi considerado o Melhor Restaurante em 2010 e este ano voltou a marcar presença no concurso


Promover os sabores da região conjugados com os vinhos do Tejo é o principal objectivo do II Concurso de Iguarias e Vinhos do Tejo, promovido pela Comissão Vitivinícola Regional do Tejo (CVR Tejo) e a decorrer de 5 a 20 de Março, em toda a região vitivinícola.  

O Cartaxo distingue-se neste concurso por ser o concelho com mais restaurantes aderentes. Foram seis os restaurantes a participarem nesta iniciativa, que mais do que avaliar a qualidade da restauração e o casamento das iguarias com os vinhos, pretende ser “uma aprendizagem para todos, desde os profissionais aos produtores de vinho”, sublinhou Mário Louro, presidente do júri, no decorrer das provas de avaliação no concelho do Cartaxo, no dia 17 de Março.

Embora o concurso ainda esteja a decorrer, Mário Louro faz já um balanço bastante positivo da segunda edição, distinguindo, sobretudo, o empenho dos 30 restaurantes aderentes. “Estou contentíssimo por ver o empenho das pessoas neste concurso. Elas empenharam-se na apresentação das iguarias, nas mesas, na escolha dos vinhos, é muito giro sentir isso. E elas entendem que algumas questões menos pontuadas servem de motivação, não significando o desfazer do trabalho que têm vindo a desenvolver”, referiu.

Restaurantes do concelho apostam nos pratos tradicionais

No dia 17 de Março, os seis restaurantes aderentes do concelho do Cartaxo – Cavalaria 7, Cernelha, Rosa Alta, Taberna do Gaio, O Batalhoz e Taberna do Alfaiate – apresentaram à sua mesa um menu – composto por entrada, prato principal e sobremesa, acompanhados por vinhos do Tejo certificados –, o qual colocaram à degustação do júri, constituído por Mário Louro, o chef de cozinha Igor Martinho, o jornalista de gastronomia Fernando Melo, um jornalista de vinhos (João Geirinhas, Luis Antunes e João Paulo Martins) e mais um elemento (Paulo Narciso, Helena Mira, António Rhodes Sérgio, Carla Rosa ou José Gaspar).

As provas começaram na Cavalaria 7, um restaurante gerido desde 2010 por João Caria, que preza por associar à imagem da casa a tipicidade dos produtos da terra, com “uma pitada de requinte”. Na ementa levada a concurso, a Cavaria 7 optou por um escabeche de galinha caseira e um prato sazonal composto por lombos de porco e cogumelos, servido dentro da carcaça de um pão.

“Os restaurantes devem tentar fazer uma gastronomia virada para a região a que pertencem”, considera João Caria, embora não seja contra a nova cozinha. Quanto aos néctares, defende que “os restaurantes poderão ser a melhor montra de vinhos dos produtores e das adegas das diferentes regiões”.

O restaurante Taberna do Gaio fica situado na Cruz do Campo e este ano o seu proprietário, Mário Silva, sentiu que participar neste concurso poderia contribuir para dar um novo impulso ao negócio. “É importante para a gastronomia da nossa região e para os restaurantes, que vêem aqui uma forma de promoverem os seus pratos e a sua casa”, reforçou.

O restaurante, criado há nove anos, aposta essencialmente no “prato típico regional e há sempre a preocupação de apresentar os vinhos da zona, isso está à vista aqui”, acrescentou Mário Silva, apontando as várias montras e expositores de vinho que decoram o espaço. O restaurante concorreu com alheira de caça, galo de cabidela e pêra bêbeda com gelado de limão.

Situado à entrada da cidade do Cartaxo, a Cernelha está nas mãos de Sérgio Costa há cinco anos. Os grelhados são o principal atractivo do restaurante. “Temos uma grande variedade de peixes do mar, de boa qualidade, e também boas carnes, como porco preto e boi, que caracterizam muito o Ribatejo. Cada zona tem um prato mais característico, acho que é essa tipicidade que faz com que as pessoas se desloquem propositadamente a determinados sítios, para provarem pratos diferentes”, referiu Sérgio Costa.

Quanto a este concurso, o gerente considera que “promove a casa, juntamente com a comida e os vinhos que apresentamos. No fundo, tentamos fazer alguma publicidade à nossa zona do Tejo”. Salada de coelho, ensopado de galo e cascata de maçã foram os pratos apresentados ao júri.

Manuel Rosa gere há 11 anos o Batalhoz, situado em pleno centro da cidade do Cartaxo. Pelo segundo ano, decidiu participar no concurso, porque “enquanto profissional do sector, acho que os vinhos do Tejo estavam a ser mal dinamizados, e nós, como lidamos directamente com o consumidor final, temos de colaborar e estar na linha da frente para dinamizarmos os nossos vinhos”.


 
Quanto à comida, Manuel Rosa considera que “a parte gastronómica não se pode separar da parte económica”, o que contribui para a perda de alguns pratos típicos. “Um restaurante é sempre uma empresa, nós tentamos dinamizar em alta na parte da qualidade, mas procurando por vezes produtos que não são nacionais”, acrescentou. Este ano, o Batalhoz colocou à prova fígado à lagareiro, bife à Batalhoz e uma sobremesa à base de chocolate e morangos.



O restaurante Rosa Alta partilha o espaço do Hotel da Quinta das Pratas. Apesar de privilegiar o requinte, são os segredos da cozinha tradicional que servem de base a muitos dos pratos apresentados na ementa.

A cozinheira Lucinda Rodrigues explicou a razão da escolha das iguarias apresentadas ao júri. “A relação com a região está na aposta das migas saloias, um prato feito no Ribatejo com pão de milho e caldo verde. Temos os peixinhos da horta, também um prato muito antigo, e que anteriormente, nos tempos mais pobres, servia como primeiro prato. Coloquei a morcela de Almoster em cima de pão de milho para lembrar os tempos idos”, descreveu. Como prato principal, serviu-se pato assado no forno com sumo de laranja e como sobremesa, pinhas douradas.

Taberna do Alfaiate foi considerado o Melhor Restaurante em 2010
Situado na pequena localidade da Lapa, a Taberna do Alfaiate é um dos restaurantes tradicionais mais reconhecidos do concelho do Cartaxo. Além de outros prémios conquistados noutros concursos, alguns de âmbito nacional, este restaurante foi distinguido como o Melhor Restaurante e com o prémio de Melhor Carta de Vinhos no Concurso de Iguarias e Vinhos do Tejo de 2010.

“Mal seria se este ano não voltasse a concorrer, seria não querer dar continuidade ao que aconteceu no ano passado. Estamos sempre abertos a divulgar tudo o que é bom no Ribatejo, que bem precisamos disso”, sublinhou João Espírito Santo, que admite ser “um grande apologista da divulgação das nossas comidas e dos vinhos da região, facto é que nos últimos 19 anos, quando abri esta casa, tenho trabalhado apenas com vinhos do Ribatejo”.

Nesta ementa especial para degustação do júri, a Taberna do Alfaiate apresentou manja com bacalhau lascado como entrada, pato assado com mel e legumes como prato principal e um bolo feito à base de amêndoa e vinho para a sobremesa.

Apesar de serem acompanhadas com vinhos diferentes, as três iguarias têm a particularidade de incorporarem o vinho também na sua confecção. “O mote no ano passado foi o pão, este ano foi o vinho. Para se enquadrar no teor do concurso, apostámos na ligação directa do vinho com os pratos”, acrescentou João Espírito Santo.

Os prémios do II Concurso de Iguarias e Vinhos do Tejo serão entregues no decorrer de uma gala que terá lugar no dia 28 de Maio, em Vila Chã de Ourique (Cartaxo).



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