Paulo de Carvalho cantou e encantou no Centro Cultural do Cartaxo, na noite de 17 de Abril. O músico e compositor português permitiu ao público entrar no seu “mundo de cantigas”, apresentadas em palco ao som do piano do músico cubano Victor Zamora.
Foi um “espectáculo intimista”, como lhe chamou Paulo de Carvalho, cheio de conversas, de histórias e de “músicas conhecidas e queridas”. Um espectáculo que combinou também a força do fado com os ritmos do jazz e da música cubana.

“Flor Sem Tempo” – a música de José Calvário levada em 1971 ao Festival da Canção por Paulo de Carvalho – foi a primeira homenagem da noite feita aos “grandes músicos e poetas do nosso país”. O segundo português homenageado foi José Carlos Ary dos Santos, com os poemas “O Cacilheiro” e “Balada para uma Boneca Capelista”.
Acérrimo defensor da divulgação e valorização da música portuguesa, Paulo de Carvalho lamentou que as estações de rádio não passem mais música nacional. “É preciso aprender a gostar das nossas coisas”, referiu.
E lembrando a Revolução de Abril – também um marco “muito nosso” – Paulo de Carvalho entoou a palavra “liberdade” numa letra do professor Agostinho da Silva e no clássico “Os Meninos de Huambo” – música que dedicou a Angola. “A palavra revolução costuma assustar a maioria das pessoas. Mas a nossa vida devia ser uma revolução constante, de conhecimento e cultura”, acrescentou.

Na despedida, Paulo de Carvalho agradeceu ao público “a atenção e a belíssima forma” com que ouviu aquilo que ele próprio tentou transmitir através da música. “O espectáculo é uma comunhão entre os que estão em cima do palco e os que estão na plateia. Somos iguais, a única diferença é que trabalhamos numa profissão que nos expõe mais”, frisou.
Para o público que encheu a sala do Centro Cultural, Paulo de Carvalho dedicou o tema “Gostava de vos ver aqui” e aos “saudosistas saudáveis” o clássico “Nini dos Meus 15 Anos”.
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