O Centro Cultural do Cartaxo recebeu no dia 21 de Novembro o espectáculo internacional “Les Ogres”, trazido a Portugal pela companhia francesa Image Aiguë, de Christiane Véricel, que este ano recebeu o título de Embaixador Cultural Europeu.
Tal como outras criações de Christiane Véricel, “Les Ogres” conta com a participação de crianças e adolescentes de várias nacionalidades, que se apresentam em cena ao lado dos profissionais da Companhia. Mas para a encenadora “não há distinção entre amadores e profissionais. Todos são tratados da mesma maneira”, referiu.

Christiane Véricel cria as personagens a partir da personalidade de cada pessoa, contando histórias universais sobre o poder, a diferença, a sobrevivência. “O objectivo é mostrar que, pessoas de culturas e línguas diferentes podem-se unir numa comunicação comum, a comunicação teatral. E como os problemas são comuns aos vários cantos do mundo, o espectáculo pretende entreter, mas ao mesmo tempo passar nas entrelinhas mensagens que nos façam reflectir e repensar as nossas atitudes no dia-a-dia”, afirmou.
Entre estes actores de diferentes nacionalidades, encontra-se o português André Oliveira, de Paredes, que foi o jovem seleccionado para integrar o elenco do espectáculo “Les Ogres”, a partir de um atelier realizado pela Companhia nesta cidade do norte do país.
Para este actor amador, esta tem sido “uma experiência muito enriquecedora, porque para além de conhecermos culturas, línguas e religiões diferentes, é também um trabalho que nos permite conhecer melhor a nós próprios, através daquilo que os outros vêem em nós. E a Christiane Véricel tem essa capacidade de descobrir novas facetas em nós e explorá-las”.

André Oliveira enveredou por uma carreira profissional que não o teatro, mas esta experiência está a contribuir para que possa vir a mudar a sua trajectória. “Tenho uma grande paixão pelo teatro e esta experiência foi um estímulo para que eu, que tenho agora uma vida profissional organizada, tente conciliar o trabalho com os estudos de teatro, para a partir dai fazer do teatro a minha profissão”, revelou, até porque, acrescenta, “o teatro para mim é mais do que uma profissão, é uma filosofia de vida. Não viver com o teatro é como estar desencontrado comigo mesmo”.
Depois do Cartaxo, a peça “Les Ogres” vai ser apresentada em Itália e em 2011 fará uma tournée em França. Com o apoio do Programa da Cultura da União Europeia, a Companhia Image Aiguë conseguiu reforçar a sua cooperação artística em países como Itália, Suécia e Portugal. A Companhia pretende agora alargar a sua actividade a outros países, como Geórgia ou Egipto.
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“Les Ogres” de Christiane Véricel passaram pelo Cartaxo
Directora e encenadora da companhia francesa Image Aiguë esteve no Cartaxo para apresentar um dos seus últimos trabalhos, que junta em palco actores amadores e profissionais, de várias nacionalidades
A Companhia Image Aiguë tem vindo a desenvolver um trabalho que conjuga actores de diferentes nacionalidades e culturas. Como tem sido esta experiência?
A Companhia junta crianças, adolescentes e adultos, de diferentes países do mundo e que em cena falam as suas próprias línguas. Não é necessariamente um trabalho comunitário, mas essencialmente um trabalho cultural, que tem sido muito rico em termos da comunidade. O objectivo é mostrar que, pessoas de culturas e línguas diferentes podem-se unir numa comunicação comum, a comunicação teatral. O trabalho é simplificado porque são histórias universais, que toda a gente conhece, e a partir daí é fácil perceber o que está a acontecer em cena.

O espectáculo “Les Ogres” espelha precisamente esse conceito, assim como preocupações sociais associadas à desigualdade.
Sim, é um espectáculo que aborda essencialmente a procura de alguma coisa para comer e de um lugar para estar no mundo, mas ao mesmo tempo essa tentativa é barrada por diferentes proibições. Há muito um jogo entre o chefe que proíbe, que quer incutir educação, e os que passam fome, para quem nada mais importa a não ser arranjar comida. O espectáculo joga muito com o poder de quem tem e quem manda e o desespero que quem precisa de ter.
Este é um espectáculo que junta no mesmo palco crianças de vários países. Tem sido interessante trabalhar com elas?
Desde que este projecto começou, há 27 anos, que trabalhei sempre com crianças nos meus espectáculos, porque como o mundo é feito de crianças, adolescentes e adultos, não fazia sentido que em cena isso não acontecesse. Mas eu enquanto encenadora e directora da Companhia dirijo todas as pessoas da mesma maneira, não há distinção entre amadores e profissionais. Com todos tenho a mesma exigência.
Que mensagem pretende transmitir com “Les Ogres”?
O objectivo do espectáculo é chamar a atenção para os problemas do mundo, neste caso da fome. Pretende entreter, mas ao mesmo tempo passar nas entrelinhas mensagens que nos façam reflectir e repensar as nossas atitudes no dia-a-dia. Fazer-nos pensar que os problemas são comuns em todos os pontos do mundo, também por isso reuni em palco pessoas de várias nacionalidades, para transmitir que em todos os cantos do mundo existem desigualdades e dificuldades.
Como surgiu esta oportunidade de vir ao Cartaxo?
Foi a primeira vez que a Companhia veio a Portugal com este espectáculo. Começámos com um atelier em Paredes e depois surgiu a oportunidade de vir a Portugal apresentar este trabalho, num ponto mais a norte do país, em Paredes, e num mais a sul, no Cartaxo. Quem sabe mais tarde poderemos fazer uma digressão por outros lugares do país.
Como vê o facto da Companhia ter sido designada de Embaixador Cultural Europeu?
A base do nosso trabalho sempre teve um âmbito europeu. Esta designação veio acrescentar valor ao nosso trabalho, foi um reconhecimento que nos deixa muito contentes e nos motiva para continuar. Neste momento trabalhamos com sete país e nos próximos anos esperamos alargar a nossa intervenção teatral a 11 países.
Do Cartaxo, “Les Ogres” seguem para onde?
Nós já apresentamos o nosso trabalho na Suécia, Turquia, Portugal, Sicília e França. O próximo país a receber “Les Ogres” é Itália e no primeiro semestre de 2011 o espectáculo vai realizar uma tournée em França.