As montras e as janelas das principais ruas da cidade do Cartaxo voltaram a engalanar-se para receber a festa do Campino, este ano valorizada com o Desfile do Dia do Trabalhador.
Este terceiro dia da Festa do Vinho, dia 1 de Maio, ficou marcado pelo desfile de campinos, amazonas, cavaleiros e equipagens e pela alocução e bênção ao campino, uma tradição que remonta a 1990 e que todos os anos se realiza para homenagear aquele a que Manuel Barroca – de 87 anos, mentor e impulsionador da festa do Campino – intitula de “figura ímpar do Ribatejo” e de “homem polivalente, que faz todos os trabalhos do campo”.
“Não conheço nenhum ofício em que os homens tenham tanto cuidado com a sua ferramenta. E a ferramenta do campino é o cavalo. Ele está sempre em primeiro, para estes homens de fé e de grandes responsabilidades”, frisou Manuel Barroca, dirigindo-se aos campinos.
Este ano, devido à realização de outros eventos ligados à cultura do campo e da tauromaquia na região, o número de campinos que participaram neste encontro ficou um pouco aquém do habitual – cerca de 25 campinos. Mas a dimensão não é o fundamental para a Comissão Organizadora, que igualou o espírito da festa às edições anteriores.
E porque a festa alcançou este ano o 20.º aniversário, cantaram-se os parabéns aos campinos, que se reuniram depois do desfile em frente ao Ateneu Artístico Cartaxense, onde decorreu também a bênção. Todos os campinos receberam este ano uma medalha comemorativa do 20.º aniversário do Dia do Campino e, à semelhança dos anos anteriores, a Comissão homenageou, de forma mais particular, um campino – José Mimosa, do concelho do Cartaxo.
Paulo Caldas, presidente do município do Cartaxo, registou a adesão significativa da população e dos visitantes a esta festa, “que é muito bonita e que tanto engrandece as nossas memórias, as nossas tradições e a nossa identidade”, considerou.
Em sinal de reconhecimento do empenho e da dedicação que Manuel Barroca tem prestado a esta festa ao longo dos últimos 20 anos, a Câmara Municipal do Cartaxo decidiu homenagear este cartaxeiro, entregando-lhe uma placa, onde se lêem as palavras “talento, dedicação e amor ao Cartaxo”.
“Neste dia do Trabalhador e do Campino, Manuel Barroca é para nós o símbolo do empenho e da excelência no trabalho. Que ele nos continue a ajudar a preservar e a divulgar as tradições da nossa terra”, apelou-lhe Paulo Caldas.
Desfile do Dia do Trabalhador
Integrado nas Comemorações do Centenário da República, sete carros alegóricos das freguesias do concelho desfilaram neste Dia do Trabalhador pelas ruas da cidade, demonstrando várias actividades e profissões rurais.
O tanoeiro, o funileiro, o correeiro, o moleiro, o pescador, o cultivo do arroz e a caldeira de destilação foram as principais representações apresentadas neste desfile.
Esta foi também uma iniciativa evocativa dos desfiles que se realizavam no concelho, desde 1903, em comemoração do Dia do Trabalho.
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