O Museu Rural e do Vinho do Concelho do Cartaxo comemorou no dia 23 de Novembro o 25.º aniversário. A data foi assinalada com a inauguração de uma exposição, intitulada “Cartaxo de Outros Tempos”, com a inauguração do Centro de Documentação e Núcleo de Reservas Visitáveis do Museu e com uma edição especial, a 29.ª, das Conversas na Taberna.
As comemorações das “bodas de prata” deste espaço museológico do concelho do Cartaxo contaram com a presença do Director Regional da Cultura de Lisboa e Vale do Tejo, João Soalheiro, Director Regional Adjunto da Agricultura, Paulo Corado, Adjunto da Governadora Civil do Distrito de Santarém, Rui Carreteiro, assim como dos autarcas locais.
Paulo Varanda, vice-presidente da Câmara Municipal do Cartaxo e vereador responsável pelo pelouro da Cultura, enalteceu o trabalho desenvolvido pela actual equipa do museu, realçando também o contributo de todos aqueles que valorizaram este projecto ao longo destes últimos 25 anos “é um quarto de século de trabalho de uma equipa coesa, estável, e que fez da vida do Museu, a sua própria vida”.

“É importante reconhecer todas as pessoas que, com entrega e dedicação, se envolveram na dinâmica deste museu desde a sua génese”, frisou Paulo Varanda, destacando a importância que Maria José Campos teve “na fundação deste espaço museológico e na sua afirmação como lugar de testemunho da nossa identidade”, acrescentando que “a valorização desta identidade tem de ser sempre prioridade da autarquia, não apenas permitindo um olhar de retrospectiva sobre quem fomos, mas também de perspectiva de futuro para as novas gerações. É um projecto que quer continuar a ser ambicioso, que está atento aos novos desafios e que vai continuar a saber modernizar-se”, acrescentou.
Para Pedro Gil, vereador da Câmara Municipal responsável pelo projecto Cartaxo – Capital do Vinho, o museu é um “elemento fundamental” deste projecto, constituindo o novo Núcleo de Reservas “um passo em frente para a entrada na Rede Portuguesa de Museus, que permite, juntamente com os nossos parceiros, dar mais força ao turismo do Cartaxo e da Região”.
A antiguidade e a dinâmica deste espaço museológico levam o Director Regional da Cultura a classificar o museu como “uma referência para a cultura na região de Lisboa e Vale do Tejo”. João Soalheiro acrescentou ainda que neste museu estão representados sentimentos como “generosidade, comunidade e respeito por aqueles que nos precederam”, defendendo que “todos os que vêm depois de nós têm o direito de saber o que foi o nosso passado”.
O Director Regional Adjunto da Agricultura congratulou-se também com o aniversário do museu, assim como a presidente da Assembleia Municipal do Cartaxo e Rui Carreteiro, que em representação do Governo Civil de Santarém valorizou a qualidade do vinho que é produzido na região.

Novo Centro de Documentação e Núcleo de Reservas Visitáveis
Com a inauguração destes dois novos espaços do Museu Rural e do Vinho, “o museu reconquista um espaço que foi seu à nascença”, referiu Vítor Varela, director executivo do Museu, explicando que “o Centro Documental e o Núcleo de Reservas Visitáveis ocupam um espaço o que foi local onde o Museu começou a funcionar em 1985”. A criação destas novas áreas permitiu ao Museu efectuar uma candidatura para integrar a Rede Portuguesa de Museus – “um objectivo já há muito tempo traçado e que foi conseguido graças ao dinamismo da presidência da Câmara Municipal e seus vereadores”, acrescentou Vítor Varela.
No Centro Documental pode ser consultada bibliografia relacionada com a agricultura, com destaque para o vinho e a vinha, assim como um vasto conjunto de publicações antigas que foram editadas no concelho. Já no novo Núcleo de Reservas, estão expostos e podem ser apreciados utensílios utilizados nas várias actividades artesanais associadas à agricultura e ao meio rural.
Exposição “Cartaxo de Outros Tempos” e Roteiro do Museu
Até dia 30 de Janeiro de 2011, o Centro de Promoção Vitivinícola do Museu Rural e do Vinho tem patente uma exposição que retrata as características de quatro profissões: carpinteiro, sapateiro, correeiro e alfaiate.
Inaugurada no dia em que o museu completou o 25.º aniversário, esta exposição pretende valorizar os ofícios tradicionais e dar a conhecer aos mais novos como eram fabricadas artesanalmente peças em madeira, como era elaborado e concertado o calçado, como se criavam correias ou outras obras em couro ou como se faziam os fatos para homem.

Os utensílios usados nestes quatro ofícios estão devidamente enquadrados no ambiente de trabalho da época. Entre eles constam os compassos e as enxós do carpinteiro, a brocha e a turquês usadas pelo sapateiro, as albardas e as selas criadas pelo correeiro ou as fazendas transformadas pelo alfaiate.
O Museu apresentou também o seu novo Roteiro, no qual os visitantes podem conhecer a génese do Museu e acompanhar o seu percurso expositivo.
José Raposo nas Conversas na Taberna
José Raposo associou-se também às comemorações do aniversário do museu, tendo sido o convidado da 29.ª edição das Conversas na Taberna.
Desde muito novo que José Raposo mantém uma ligação ao concelho do Cartaxo, nomeadamente a Pontével, terra natal dos seus avós paternos. Valoriza as tradições e a vivência popular, “mais do que convívio «socialite»”.
“Sou uma pessoa muito ligada ao povo. Mesmo nos palcos, sempre fiz mais o teatro ligeiro, ligado às grandes massas. Também sempre frequentei mais as tascas do que os restaurantes”, revelou o actor.
As tabernas de Lisboa, o vinho do Cartaxo, o ambiente castiço das tabernas, a revista à portuguesa e a passagem do actor pelo grande ecrã foram também motivo de conversa nesta 29.ª edição das Conversas na Taberna – uma iniciativa que todas as últimas quartas-feiras de cada mês propõe uma viagem até ao passado e uma reflexão sobre as tradições.