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2011-11-30

BOMBEIROS MUNICIPAIS DO CARTAXO COMEMORARAM 75.º ANIVERSÁRIO

  • Comandante dos Bombeiros do Cartaxo mostrou-se preocupado com a "evolução do socorro às populações"
  • Paulo Varanda enalteceu resposta "firme e exigente" da corporação do Cartaxo perante o "ambiente operacional austero"
  • Presidente da ANPC afirmou que "tudo fará para estar na primeira linha do esforço de valorização dos bombeiros"
  • Presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses defendeu a necessidade dos poderes políticos definirem um rumo e prioridades para os bombeiros

Os Bombeiros Municipais do Cartaxo comemoraram 75 anos de serviço à comunidade no passado dia 26 de Novembro.

A cerimónia oficial decorreu no Parque Central da cidade e contou com várias homenagens e condecorações ao corpo de Bombeiros, das quais se destacam o Crachá de Ouro da Liga dos Bombeiros Portugueses e a Medalha de Mérito de Protecção e Socorro Grau Prata – Distintivo Azul atribuída pelo Ministro da Administração Interna.

Também em sinal de homenagem aos soldados da paz, a Câmara Municipal do Cartaxo ergueu um monumento na rotunda junto ao Estádio Municipal, ilustrando um bombeiro e o lema “Vida por Vida”, que foi inaugurado também no dia 26 de Novembro.

Comandante dos Bombeiros do Cartaxo mostrou-se preocupado com a “evolução do socorro às populações”

O comandante da corporação, Mário Silvestre, dirigiu o seu principal agradecimento “a todos os que colocam o lema Vida Por Vida como farol orientador da sua existência, ultrapassando todas as dificuldades e problemas e em nome de uma causa maior, querendo em troca única e exclusivamente a recompensa do trabalho bem feito, de mais uma vida salva”.

Fazendo uma análise do presente, Mário Silvestre afirmou que os Bombeiros enfrentam uma situação nunca antes vivida. “As ofensas, intencionais ou não, que nos são perpetradas todos os dias e por todas as instituições, inclusive as que se intitulam como nossos parceiros, colocam em risco a operacionalidade do maior agente de protecção civil do país”, avançou.

Dirigindo as suas palavras ao presidente da Associação Nacional de Protecção Civil (ANPC), o comandante mostrou-se preocupado com a evolução do socorro às populações, afirmando que “as últimas decisões operacionais, que de uma forma extemporânea colocam no agente de protecção civil INEM a coordenação operacional da emergência médica efectuada pelos corpos de bombeiros, é, em nossa opinião, perigosa”.  

As preocupações verificam-se também ao nível da falta de legislação para os corpos de bombeiros mistos detidos pelas autarquias, o que provoca constrangimentos em termos de promoção dos voluntários e impossibilidade de ter oficiais bombeiros.

“A nossa realidade é em tudo semelhante à dos corpos de bombeiros detidos pelas associações de Bombeiros Voluntários, no entanto, as diferenças criadas pela legislação em vigor causa-nos problemas inacreditáveis”, reforçou Mário Silvestre, dando um exemplo prático.

“Os corpos de Bombeiros Mistos têm nas suas fileiras bombeiros voluntários, com toda a formação exigida pela ANPC, no entanto, se um desses elementos pretender ser bombeiro profissional no mesmo corpo de bombeiros que o formou, tem que fazer mais um ano de estágio, sem poder fazer durante esse tempo serviço operacional. Ou seja, temos custos a formar um bombeiro voluntário, colocamo-lo a fazer serviço e esse homem pode chefiar operações, pode comandar bombeiros profissionais, pode ser comandante das operações de socorro, mas para passar a profissional tem que fazer um curso de 12 meses e ter menos de 25 anos. Uma realidade que não se compreende, não serve, não é racional”, considerou.

O comandante dos bombeiros apelou também a um tratamento igual entre as instituições que prestam socorro. “As associações humanitárias de bombeiros têm financiamento da administração central através dos PPC e quando comemoram 75 anos, como nós, têm direito a 20 mil euros. Nós temos a honra de ter a Câmara. Não estamos contra o financiamento destas instituições, estamos a favor de um igual tratamento que importa referir que é urgente”, sublinhou.

Ainda em questões de legislação, Mário Silvestre defendeu um estatuto próprio para os bombeiros das autarquias e que as reformas para o sector público no novo orçamento de Estado não se apliquem aos corpos de bombeiros municipais, porque, acrescentou, “a nossa missão não pode estar sujeita a este tipo de restrições”.

Mário Silvestre espera um maior reconhecimento do trabalho dos bombeiros, os quais define como sendo “indubitavelmente a coluna vertebral do sistema nacional de Protecção e socorro” – são eles que fazem cerca de 90% do socorro pré-hospitalar em Portugal (no distrito de Santarém existem apenas 11 ambulâncias do INEM, as restantes são do agente Bombeiros e note-se que estas mesmas ambulâncias são todas tripuladas por bombeiros); são eles que enfrentam e combatem os incêndios florestais; são eles que acorrem a todos os acidentes de viação, situações de inundações, desobstruem estradas, executam missões de socorro a náufragos, salvam animais, etc.

“Ou seja, somos nós que efectuamos todas as operações de socorro, sendo os números apresentados pelas outras forças de protecção e socorro sem significado e sem representatividade estatística”, resumiu.

Do balanço feito do ano de 2011, Mário Silvestre salientou a resolução da situação contratual precária que existia com 25 bombeiros, que permitiu colocá-los no quadro, e a candidatura apresentada ao QREN para aquisição de um veículo florestal de combate a incêndios e um veículo de assistência e socorro especial, estando ambos em fase de concurso público de aquisição, prevendo-se a entrada ao serviço para o primeiro semestre de 2012.

“Estas e outras conquistas só são possíveis graças ao empenho, dedicação e amizade manifestadas pelo presidente da Câmara”, acrescentou o comandante, agradecendo igualmente aos presidentes das Juntas de Freguesia, à Fanfarra e às famílias de todos quantos se entregam à causa dos bombeiros.

Paulo Varanda enalteceu resposta “firme e exigente” da corporação do Cartaxo perante o “ambiente operacional austero” que os bombeiros atravessam

Paulo Varanda, presidente da Câmara Municipal do Cartaxo, considerou que a realidade actual está a colocar à prova os bombeiros. “Ao longo do ano de 2011, as adversidades foram várias e os incidentes diversos, cuja resposta técnica e urgente foi cabalmente cumprida. Concursos de pessoal, ausência de legislação capaz de enquadrar e valorizar as carreiras de bombeiro, dificuldades financeiras. E qual foi a resposta dos bombeiros? Trabalho, dedicação, empenho, soluções”, enalteceu.

O edil está confiante de que os bombeiros, assim como a Câmara, vão continuar à altura dos desafios. “Teremos uma resposta exigente e firme, próxima da comunidade, perante o ambiente operacional austero que tudo indica que 2012 nos vai brindar”, assegurou.

Também Paulo Varanda defendeu “um tratamento igual e justo” entre as instituições de socorro. “Os bombeiros municipais não foram até hoje considerados como uma competência assumida, possível de ser ponderada no cálculo do correspondente envelope financeiro, proporcional ao cumprimento da sua missão. Apenas queremos ser tratados de igual forma que outra qualquer entidade que assuma esta digna responsabilidade ou de igual forma que municípios que não têm esta resposta”, declarou.

Perante as homenagens e condecorações feitas aos operacionais e à própria corporação, Paulo Varanda considerou que “é também com estes gestos que a nossa motivação se mantém sempre elevada, porque é um claro sinal de reconhecimento pelo trabalho que os nossos bombeiros desenvolvem, aqui e para além do nosso concelho”.

Como responsável pela protecção civil no concelho, o autarca disse também sentir “honra e orgulho por saber que os munícipes vivem descansados”, garantiu a continuidade do “apoio incondicional” aos bombeiros e agradeceu o seu trabalho e o apoio por parte das suas famílias.

Presidente da ANPC afirmou que “tudo fará para estar na primeira linha do esforço de valorização dos bombeiros de Portugal”

Em representação do Secretário de Estado da Administração Interna, o presidente da Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC), Major General Arnaldo Cruz, caracterizou os bombeiros como sendo “a força determinante no sistema de protecção civil, a mais visível e mais próxima dos cidadãos”, que ao longo dos anos se têm assumido como “agentes dinamizadores da actividade de socorro”.

Foi no quadro desta caracterização que Arnaldo Cruz afirmou que “devemos continuar a trabalhar com determinação, conscientes das limitações conjunturais que o país hoje enfrenta, para que a actuação dos bombeiros portugueses seja cada dia melhor, mais capaz e mais competente”.

“Vivemos uma época de contingências, que necessita de mudanças, na forma de relacionamento do Estado com as associações e nos processos que se pretendem cada vez mais flexíveis, simplificados e transparentes, mas sempre com objectivo determinado de garantir que os bombeiros continuem como até aqui como espinha dorsal do socorro, sempre cada vez mais apoiados, mais bem preparados e eficientes para o cumprimento da sua missão”, reforçou.

Arnaldo Cruz tranquilizou o comandante dos Bombeiros do Cartaxo quanto ao socorro pré-hospitalar, afirmando “não temos posições ortodoxas e definitivas” e que a medida tomada foi “reavaliar a situação”.

O presidente da ANPC garantiu ainda que “tudo fará para estar na primeira linha do esforço de valorização dos bombeiros de Portugal. Este é o nosso caminho, de aprendizagem a cada dia, assumindo e corrigindo as práticas menos boas, tentando dignificar os quantos connosco servem a causa da protecção civil”.

Entre algumas das acções desenvolvidas nesse sentido, referiu-se à consolidação da legislação com a Liga dos Bombeiros e demais parceiros e às medidas no âmbito do processo de promoção dentro dos corpos de bombeiros, que permitiram promover cerca de 600 homens e mulheres pertencentes aos corpos de bombeiros de todo o país.

Presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses defendeu a necessidade dos poderes políticos definirem um rumo e prioridades para os bombeiros

Duarte Caldeira, presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, centrou o seu discurso na crise, transmitindo uma mensagem de optimismo e confiança. “Ao longo da nossa história, facilmente detectamos momentos de dúvida, momentos dramáticos, momentos gloriosos e também caracterizado por essa palavra que parece aprisionar-nos chamada crise, mas sempre soubemos ultrapassar todas as dificuldades com que nos confrontámos”, constatou.

Confiante de que conseguiremos ultrapassar de novo o período difícil, “que está a marcar de uma forma muito negativa as estruturas de socorro em Portugal”, o presidente da Liga dos Bombeiros defendeu que “é preciso que os poderes públicos parem de vez de transformar este sector num laboratório sistemático de experiências e num laboratório permanente de currículos políticos, para passar de uma vez por todas a definir um rumo, a definir uma estrutura, a definir uma organização e a definir prioridades”.

Prioridades essas que passam pelo direito universal ao socorro, assim como já existe com a segurança. “É por isso que a segurança e o socorro não se compadecem com lógicas de abordagem economicista e orçamentais. Aqui não há gorduras, há apenas necessidade de afectar recursos a missões fundamentais que têm a ver com direitos fundamentais dos cidadãos”, afirmou.

Para conseguirem continuar a cumprir com a sua missão neste panorama de dificuldades, “é necessário que as estruturas dos bombeiros se mantenham coesas, quanto mais reforçadas estiverem mais força terão junto de quem decide”, acrescentou Duarte Caldeira.

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HOMENAGENS E CONDECORAÇÕES

Medalha de Mérito de Protecção e Socorro Grau Prata, Distintivo Azul
Atribuída pelo Ministro da Administração Interna

Crachá de Ouro da Liga dos Bombeiros Portugueses
É o mais alto galardão da Liga dos Bombeiros Portugueses, que distinguiu dois bombeiros que se dedicaram a esta nobre causa durante mais de 38 anos, bem como o estandarte da corporação.

- Francisco Bacarote da Silva (Chefe do Quadro de Honra)
- Carlos Manuel Caria Pego (Subchefe do Quadro de Honra)
- Estandarte da Corporação

Medalhas de Assiduidade atribuídas pela Liga dos Bombeiros Portugueses
Medalha de Assiduidade Grau Cobre – por 5 anos de bons e efectivos serviços
- Mário Silvestre (Comandante)
- João Ferreira (Bombeiro de 3ª)

Medalha de Assiduidade Grau Prata – por 10 anos de bons e efectivos serviços
- Rui Firmo (Bombeiro de 3ª)
- Marta Catarino (Bombeiro de 3ª)
- André Ferreira (Bombeiro de 3ª)
- Mário Silva (Bombeiro de 3ª)

Medalha de Assiduidade Grau Ouro – por 15 anos de bons e efectivos serviços
- Henrique Rafael (Bombeiro de 2ª)
- Marco Corado (Bombeiro de 3ª)

Medalha de Assiduidade Grau Ouro – por 25 anos de bons e efectivos serviços
- Fernando Reis (Bombeiro de 1ª)
- Luis Ramalho (Bombeiro de 1ª)
- José Gonçalves (Bombeiro de 2ª)

Louvores a 10 elementos da corporação
Os louvores são declarações públicas de agradecimento e reconhecimento pelos relevantes serviços prestados.

- David Lobato (2.º Comandante)
- Vítor Rodrigues (Adjunto de Comando)
- Vítor Reis (Adjunto de Comando)
- António Marques (Bombeiro de 1ª)
- Pedro Quitério (Bombeiro de 2ª)
- Carlos Devesa (Bombeiro de 2ª)
- José Caetano (Bombeiro de 2ª)
- Sílvio Duque (Bombeiro de 3ª)
- Marta Catarino (Bombeiro de 3ª)
- Márcio Alexandre (Bombeiro de 3ª)


Prémio Bombeiro do Ano
Distingue o Bombeiro que, pelo seu trabalho, dedicação e espírito de camaradagem mereceu o voto dos seus colegas.

- Helena Leça (Bombeira de 3ª)







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